Atentados na Praça dos Três Poderes afetam turismo arquitetônico no DF

Além de ser a capital do país, Brasília também é um dos principais destinos no radar dos viajantes. Segundo pesquisa da agência de viagens Decolar.com, o Distrito Federal foi o terceiro destino turístico mais procurado no ano passado.

Com grande procura, quase seis milhões de turistas visitaram a capital entre janeiro e maio de 2022, segundo levantamento da Secretaria de Turismo do Distrito Federal. O principal interesse é a arquitetura da capital.

“Só por ser a capital do país, já atrai centenas de turistas. Outro fator chama a atenção dos turistas: somos uma das cidades mais modernas do mundo”, enfatiza Jael Antônio, presidente do Sindicato dos Empregadores de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar).

Segundo Jael, a catedral, o Congresso Nacional e o Museu da República estão entre as principais atrações turísticas de quem vem ao Distrito Federal. “A arquitetura e os edifícios modernos que temos aqui são inéditos em qualquer outro lugar do Brasil. São lugares únicos que as pessoas querem conhecer – enfatiza Sindhobar.

A catedral também é um dos monumentos clássicos de Brasília.

Locais que atraem milhões de turistas todos os anos também foram alvo de vandalismo no último domingo (8). Em cenas veiculadas nos principais jornais do planeta, a Praça dos Três Poderes foi atacada por milhares de vândalos, causando prejuízos incalculáveis ​​à cidade.

história destruída

Listado como Patrimônio Mundial da UNESCO e considerado um bem cultural, os edifícios que trouxeram a capital para o centro das atenções do mundo tiveram um impacto significativo. No momento da redação deste artigo, 1.400 pessoas foram presas por atos terroristas.

Muito mais do que construções, essas construções também preservam peças e objetos que fizeram parte da história do desenvolvimento do Brasil.

“Quando visitamos esses prédios, como cidadãos, percebemos que esses lugares não são vazios por dentro e que poucas pessoas trabalham neles”, explica Gabriela Tenório, professora de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB).

“Como vimos, há uma série de obras de artistas nacionais e internacionais. Ele também contém presentes dados por chefes de estado. Dentro desses prédios está a riqueza histórica da nossa cultura, que só descobrimos quando entramos neles”, comentou Tenório.

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Obras que foram destruídas e roubadas durante o crime. Entre os destruídos está um quadro de Di Cavalcanti, avaliado em mais de R$ 8 milhões, e uma série de peças como cadeiras e mesas de grandes designers brasileiros.

Os vândalos também destruíram o relógio Balthazar Martinot do século XVII. A peça foi um presente da corte francesa para Dom João VI. Só existem duas como ela no mundo. A segunda está exposta no Palácio de Versalhes, na França, mas tem metade do tamanho da obra, que foi totalmente destruída pelos invasores do Planalto. O valor disso é incalculável.

relógio
Relógio de Balthazar Martinot
Um objeto de valor histórico inestimável foi destruído

Retirada de obras públicas

No conceito de Tenório, os eventos ocorridos no último domingo podem levar a uma reflexão sobre o turismo e a visitação a esses prédios. “Há alguns anos, vimos uma preocupação maior do poder público em proteger essas estruturas e obras. Métodos que consistem, em sua maioria, em grades de segurança ou vigias que não permitem a aproximação do público”, comenta.

Estátua do STF com a inscrição Perdeu Mané
A estátua do STF foi pichada durante um ataque terrorista

Segundo ela, porém, essa metodologia pode ter outra consequência: as pessoas se distanciam dessas obras. “É claro que entendemos as razões e a necessidade de proteger nossa riqueza, mas de alguma forma isso afeta o turista”.

“Diante do lamentável episódio a que assistimos no domingo, ficou claro que essas grades não poderiam, por exemplo, evitar que fossem vandalizadas ou pichadas. Precisamos repensar essa estrutura de fiscalização e proteção”, afirma.

Para proteger estes espaços, estes espaços poderão ser ainda mais restritos ao público e poderão ser colocadas novas barreiras de segurança, o que Gabriela entende como “uma pena”. “São obras lindas que contam a história do nosso país. É diferente quando conhecemos e vemos esses detalhes de perto. Quando entramos em contato com a arte, é pure que passemos a apreciá-la e cuidá-la mais, comenta.

respeito pela arte

Oscar Niemeyer, que completou 10 anos no ano passado, arquiteto e bisneto do designer-chefe da capital brasileira, Paulo Niemeyer, diz que seu bisavô assistiu às cenas “desiludido”. “Oscar sempre foi um protetor das pessoas. Apesar de ter trabalhado com grandes personalidades e políticos, sempre defendeu o povo e quis o melhor para o Brasil.

O ícone arquitetônico projetou o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto.

Congresso Nacional, sede do Parlamento Brasileiro em Brasília (DF), vista frontal.  Ao fundo o céu é azul com algumas nuvens - Metropolis
Bisneto de Niemeyer revela que avô teria visto prédios dos três poderes serem destruídos

Para ele, que exerce a mesma profissão do bisavô e dá continuidade ao seu legado, Oscar sempre defendeu a proteção e o reconhecimento de suas obras. “Na minha opinião, esses prédios e o legado do meu avô se erguerão como uma fênix.”

“A arquitetura de Oscar period impressionante. O que foi quebrado não afeta seu trabalho, apenas mostra que ele precisa ser protegido e cuidado, o que ele sempre defendeu – ressalta.

Apesar das cenas deploráveis ​​e prováveis ​​perdas irreversíveis, especialistas consultados por especialistas metrópoles procuram olhar para o futuro com optimismo e defendem a importância de promover o contacto do público com estes espaços e estruturas.

“A arquitetura moderna nunca morrerá. O que aconteceu pode ser a prova de que ele está vivo e escondido”, disse Niemeyer.

Para Gabriela, é importante que as pessoas conheçam e entendam a importância que esses lugares têm em nossa história. “O melhor monitoramento é a frequência de permanência das pessoas nesses espaços. Eles têm que estar ali, se sentir parte disso e cuidar disso de uma forma muito espontânea – defende.

“Quanto mais nos aproximamos desses monumentos e obras de arte, mais aprendemos a respeitá-los. Quanto mais entendemos o valor simbólico e artístico dessas obras e espaços, não só o valor materials, mas também o valor que esses elementos têm para a nossa cultura e história brasileira, mais as pessoas se preocupam com isso”, destaca. fora.

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