Desconhecido mas muito procurado: a história de Antonio Santin, um artista espanhol com 5 zeros. Surgimento de um talento ou especulação?

Poucos de nós já ouviram falar e conhecem o enfant prodige da arte espanhola Antonio Santin, que ele percebe muito caro e muito valioso obras que à primeira vista parecem tapetes dobrados ou amassados. Olhando para uma de suas obras, imediatamente vem à mente a imagem de varrer algo para debaixo do tapete. A artista me explicou que “estou lidando com o desconhecido, o que está escondido, quando varremos algo para debaixo do tapete é porque escolhemos e queremos esconder um segredo que não podemos e não conseguimos enfrentar. Existe em nós um tapete metafórico infinito que disseca todos os aspectos da nossa realidade e que cada um de nós precisa descobrir para finalmente descobrir quem somos e onde estamos… sobre ou debaixo daquele tapete“. Assim, a arte de Santin acaba refletindo não apenas sobre a natureza da pintura, mas sobretudo sobre o conceito de verdade. O tema da ilusão perpassa, assim, toda a sua pesquisa artística. Justamente por isso, Antonio Santin cuida de suas obras nos mínimos detalhes, necessários para criar no espectador uma profunda e perturbadora ilusão de ótica: são tapetes? Estarão corpos e figuras humanas escondidas sob essas esculturas suspensas que parecem tapetes?

Partindo da pintura figurativa, por volta de 2015 chegou a uma forma de pintura materials feita com tintas a óleo distribuídas na tela em uma técnica especial que imita o bordado de tapete. A tinta a óleo, símbolo mesmo da tradição da pintura, é assim utilizada por Santin como uma verdadeira ferramenta escultórica: por meio de compressores de ar conectados a seringas especiais, ele cria “fios finos” de tinta a óleo, que delineiam uma série de micro-relevos. O processo termina com a aplicação de uma pátina especial especial, que confere à obra uma ilusão de ótica ainda maior, como se fosse um trompe l’oeil. Para completar cada trabalho, Santin auxiliado por seus auxiliares trabalha lá por até seis meses: após um período inicial de longa reflexão e análise, alimentado por muitas expectativas e leituras inspiradoras sem fim, segue-se um longo processo de criação de uma paleta de cores que reflita totalmente o estado de espírito específico do artista naquele momento. Só então chega a fase de realização através de um movimento lento e preciso que exige muito tempo e concentração.

O artista, apesar dos volumes e da tridimensionalidade, outline suas criações como “pinturas”, que eles nunca retratam tapetes reaiso quanto constituem a própria idealização do tapete e sua história intrínseca. Estas obras também escondem muitas vezes uma natureza íntima do artista que se revela nas massas antropomórficas escondidas nas dobras das obras e nos títulos, como “Ya Mañana” ou “Not My Circus Not My Monkeys”. A artista destaca como “cada obra é como se fosse uma página do meu diário”, mas não explica mais e nunca entra em detalhes sobre a origem desses títulos, estimulando no espectador um whole desdobramento de uma dimensão mais imaginativa. Pensando nisso, as obras de Antonio Santin em seu imediatismo escondem uma poesia cuidadosa, pensativa e profunda sobre a existência humana entre as “dobras da cor”. o as suas obras, embora sempre vendidas por mais de 100.000 euros, estão sempre esgotadasvocê está dando a volta ao mundo :dApós exposição particular person em Nova York na Galeria Marc Straus e participação na Feira de Arte de Abu Dhabiem 2023 terá uma exposição particular person em Mumbai e outra em Nova York até 2024. Então, por que é falado na Itália e tão pouco conhecido?

Pode haver muitas causas e fatores a serem considerados: em primeiro lugar, a Itália – felizmente – é um país rico em história da arte, tanto antiga quanto contemporânea. 3,4% (dados do Eurostat 2021) do emprego na Itália é dado pela cultura: se é verdade que a média europeia é de 3,7%, é inegável que estamos falando de cerca de 900.000 pessoas. Dentro desta parcela considerável da população, porém, devemos considerar que há muito menos artistas, ou cerca de 20-30 mil pessoas, considerando que dos 131.000 trabalhadores indicados pelo Eurostat incluem cerca de 110.000 jornalistas. Ser artista na Itália, um país que parece ter esquecido quase por completo a cultura e sobretudo os jovens que a praticam, é cada vez mais uma profissão para idealistas e/ou ricos. E, portanto, somam-se os dois fatores mencionados acima: muitas pessoas fazem arte graças a apoios de fora do sistema (sacrifícios pessoais e/ou familiares) e não por habilidades reconhecidas e reconhecíveis. Afinal, se 2022 foi o ano de recordes nos leilões de arte, a ponto de considerá-lo quase uma bolha especulativa, devemos lembrar que entre os recordes alcançados, poucos são os jovens, quase nenhum nos leilões italianos. O custo básico de uma obra de Santin é quase igual ao recorde do leilão de Salvo (155.500 euros na Blindarte) um dos mais conhecidos pintores italianos, falecido há cinco anos, após uma carreira muito longa que o levou a ser considerado “seguro” na sua historicização. O problema poderia então remontar ao colecionismo italiano, muito inclinado a satisfazer uma aspiração legítima e à arte como meio de representação de um standing, para o qual se possui principalmente o que é “facilmente” reconhecível? Ou há uma crença generalizada – contra a maré – de que estamos lidando com casos de especulação e cotações excessivas de jovens emergentes, que não se sustentam no tempo?

Como um conhecido e perspicaz colecionador italiano comentou a esse respeito Bruno Paneghini: “Antes de mais, compramos o que gostamos por vontade de satisfação, mas também inegavelmente de partilha. Gosto de colecionar obras de arte históricas, mas também de descobrir novos artistas. De que adianta uma coleção que só sabe repetir e copiar e colar nossas modas locais?” O debate está aberto… até nas dobras de um tapete-pintura de Antonio Santin.

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