Entenda as ligações das milícias de Bolsonaro e do ministro Lula – 25/01/2023 – Poder

As relações políticas da ministra do Turismo Daniela Carneiro (União Brasil) com milicianos levaram apoiadores e opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acusar o candidato do PT de ser criticado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por laços semelhantes.

Os principais pontos de crítica a Bolsonaro e ao filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram as ligações com o ex-primeiro-ministro Adriano da Nóbrega, acusado de comandar a milícia da favela Rio das Pedras, a mais antiga do Rio de Janeiro, e o chamado “Crime Bureau” , um grupo de assassinos contratados.

Adriano foi morto durante uma operação policial em fevereiro de 2020, após passar um ano foragido.

Desde então, Daniela Carneiro está sob pressão Folha mostrou o vínculo que seu grupo político mantém há pelo menos quatro anos com a família do ex-primeiro-ministro Jurace Prudêncio, conhecido como Jura, condenado a 26 anos de prisão por homicídio e envolvimento no crime.

O ministro também conquistou o apoio de eleitores de outros acusados ​​de liderar grupos armados na Baixada Fluminense.

As relações da família Bolsonaro e do grupo político de Daniela com grupos criminosos variam em grau e frequência.

A família Bolsonaro defendeu publicamente a atuação da milícia, prática não registrada por Daniela. O ministro, por sua vez, fez campanha ao lado de Jura mesmo depois de ele ser condenado por chefiar uma quadrilha da qual Adriano nada tinha a ver.

Bolsonaro e Flávio dizem não ter contato com Adriano da Nóbrega há anos e negam que tenham defendido o crime. Daniela disse que “não tolera nenhum ato ilícito e cabe à Justiça julgar e punir”.

Veja abaixo as semelhanças e diferenças entre as ligações entre Bolsonaros e Carneiro e os milicianos.

Nível de Posição

No governo Bolsonaro, os vínculos com a milícia chegaram à presidência da república. No caso atual, trata-se de vínculos com o Ministério do Turismo.

Defesa pública da milícia

Bolsonaro defendeu publicamente a ação do esquadrão da morte no plenário da Câmara. O discurso aconteceu em 2003, quando um parlamentar respondeu horas antes que o governo baiano da época havia assumido pela primeira vez a existência de grupos de extermínio na região.

“Enquanto o Estado não tiver coragem de aceitar a pena de morte, esses esquadrões da morte são, na minha opinião, muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. depende de mim, eles terão complete apoio, porque no Rio de Janeiro só se dizimam os inocentes. Na Bahia, as informações que tenho – claro grupos ilegais, mas parabéns – [são a de que] marginalidade diminuiu.

Bolsonaro também criticou a condenação de Adriano da Nóbrega pela morte de flanela, em 2005, que condenou a extorsão pela gendarmaria. Ele classificou o então tenente como um “oficial brilhante”.

Flávio Bolsonaro também defendeu a organização da milícia no Rio de Janeiro.

“Cada vez que ouço relatos de pessoas morando nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, muitas vezes vejo a felicidade daquelas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, uma vergonhosa imposição de traficantes de pessoas, e que agora têm pelo menos a garantia de esse direito constitucional, que é a segurança pública”.

Até o momento, não há registro de defesa pública feita por Daniela Carneiro sobre a existência das milícias ou de seus aliados acusados.

relações financeiras

A promotoria afirma que contas bancárias controladas por Adriano da Nóbrega foram usadas para transferir recursos do esquema de “rachadinha” atribuído a Flávio Bolsonaro. A informação consta da denúncia contra o senador, apresentada após a invalidação das provas.

Na mesma denúncia, a promotoria alega que a mãe e a ex-esposa de Nóbrega eram “funcionárias fantasmas” do antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. Segundo o MP-RJ, essa prática period uma das formas de alimentar o esquema de desvio de dinheiro.

Ainda não há relatos de transações financeiras entre Carneiro e os milicianos. No entanto, há suspeita sobre as nomeações feitas pelo marido da ministra, o prefeito Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (União Brasil).

Jura foi nomeada conselheira do conselho municipal em julho de 2017 para obter benefícios do trabalho fora da prisão. Ele ocupou o cargo até janeiro de 2020, quando a Justiça suspendeu seus poderes após constatar irregularidades na operação de um miliciano.

Fotos nas redes sociais mostram Jura participando das atividades da campanha durante o horário de trabalho, prática não permitida pela Vara Prison.

A investigação conduzida pelo Ministério Público também mostrou que ele não compareceu ao trabalho.

As folhas de ponto, apresentadas como prova de assiduidade aos trabalhos, foram assinadas pelo secretário de Robenilson Fernandes, mesmo nos períodos em que não esteve à frente direta do Júri.

Waguinho também denunciou no município de Rosimery Pagniez o irmão do ex-vereador Márcio Pagniez, Marcinho Bombeiro, preso sob suspeita de pertencer à milícia.

Ela aparece como Secretária Executiva de Saúde, embora se apresente como despachante nas redes sociais. A Câmara Municipal afirmou que a atividade do documentarista “pode ser exercida fora do horário de trabalho”. Outros dois acusados ​​de pertencer à milícia foram nomeados secretários do prefeito.

declaração de lei

Jura tem duas condenações definitivas desde 2014. Suas sentenças totalizam 26 anos pelos crimes de homicídio e associação.

Daniela Carneiro fez campanha ao lado do ex-primeiro-ministro quando ele já cumpria pena em regime semiaberto – graças à sua nomeação na Câmara Municipal. Ela também fez campanha com a esposa dele, Giane Prudêncio, depois que um tribunal retirou a mesada de um miliciano.

O ministro fez campanha ao lado de outros três milicianos depois que eles foram presos e indiciados pelos crimes.

Já Adriano da Nóbrega period conhecido nos bastidores da polícia como pistoleiro. No entanto, até janeiro de 2019, o ex-primeiro-ministro period um homem livre e sem acusações.

Ele foi denunciado e preso três vezes desde 2003 sob a acusação de homicídio e tentativa de homicídio. Ele também foi condenado. No entanto, todos os veredictos foram revistos e o ex-capitão absolvido.

Foi graças à posterior derrubada da sentença que Bolsonaro a defendeu na Câmara dos Deputados.

A única punição ultimate que o ameaçava até janeiro de 2019 period a expulsão da Polícia Militar. A corporação foi excluída devido ao seu papel de guarda-costas das casas de apostas.

Mesmo após ser punido, Flávio Bolsonaro manteve a ex-mulher de Adriano em seu escritório. O senador também empregou a mãe do ex-capitão no Sejm em 2016.

Adriano só se tornou foragido em janeiro de 2019, quando teve início a Operação Intocáveis. Ele estava em prisão preventiva sob a acusação de comandar a milícia Rio das Pedras, a mais antiga da capital fluminense.

proximidade pública

Daniela Carneiro subiu ao palco e caminhou com pelo menos quatro acusados ​​de ingressar nas milícias em Belford Roxo (um deles condenado) e familiares de outro acusado desse crime. Os atos da campanha foram divulgados pela própria ministra ou por seus aliados nas redes sociais.

Ela chegou a classificar Jura como “liderança” em publicação na rede social, apagada após ser exposta por Folha.

Por sua vez, não há registro público de que Bolsonaro e Flávio tenham participado da campanha eleitoral ao lado de Adriano da Nóbrega.

As ligações mais recentes com o período em que a família ocupou a presidência da República da Polónia foram feitas pelos familiares do ex-primeiro-ministro, que até 2018 trabalhavam no gabinete do ex-senador no Sejm.

As mensagens interceptadas pelo Ministério Público mostram, inclusive, a preocupação da família em manter a relação com o ex-primeiro-ministro desconhecida do público. O ex-primeiro-ministro Fabrício Queiroz, nomeado operador financeiro da “rachadinha”, chegou a cogitar demitir Danielle Nóbrega, ex-mulher de Adriano, para evitar que fosse ligada a um miliciano.

A mulher de Queiroz também teve um encontro secreto com a mãe de Adriano para manter contato com o miliciano durante a fuga.

Flávio também prestou homenagem na Assembleia a policiais que posteriormente foram indiciados e condenados por crimes como homicídio e extorsão.

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