Fim dos meals vehicles expõe problema da alimentação nas ruas de SP – 15/01/2023 – Mercado

Fabrizio Moreira, 37, trocou as porções de macarrão e estrogonofe de carne pela roda Uno 2021. Marcos Paulo Benício, 45, abandonou o preparo diário de marmitex e massa de pizza para atender clientes em busca de imóveis. Marcio Silva, 51 anos, continua a fazer hambúrgueres, não mais nas quatro rodas dos caminhões Mercedes-Benz que circulam pela cidade de São Paulo, mas em um ponto fixo em Pinheiros, na zona oeste da cidade.

Nove anos depois que o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (Portugal), impôs sanções em dezembro de 2013, a lei nº 15.947 que regulamentava a comida de rua na capital paulista deixou de atrair empresários. Apresentada como um grande incentivo para tirar os ambulantes do ambiente casual e ao mesmo tempo trazer cooks para as ruas da maior cidade do país oferecendo opções acessíveis de pratos estrelados, a lei deixou a desejar, proibindo a livre circulação de ambulantes em as ruas da cidade.

É por isso que centenas de meals vehicles que começaram a round por São Paulo desapareceram da capital em 2013 (em 2019 eram cerca de 600). Hoje eles são a exceção na área e podem ser encontrados em eventos na maioria das vezes.

Ao mesmo tempo, desde 2020, a pandemia tirou das ruas parte dos 12,3 milhões de paulistanos, muitos deles trabalhando em casa. Além disso, alguns universitários que costumavam ir do trabalho para as aulas ou vice-versa agora estudam on-line.

É por isso que o mercado, estimado em 10% do complete de alimentação fora do lar, que hoje é de R$ 543 bilhões por ano, segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), começa a definhar no país.

“Eu vendia cerca de 120 refeições por dia”, conta Fabrizio Moreira, que trabalha próximo ao campus da Uninove, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. “As aulas deveriam voltar após o carnaval de 2020, mas isso não aconteceu. Tive que parar”, diz Moreira, que trabalhava de segunda a sexta-feira no carrinho de massas. “As pessoas vinham direto do trabalho para a faculdade e jantavam antes da aula.”

Moreira ganhava cerca de 20.000 reais por mês com o carrinho, seu lucro period de cerca de 5.000 reais por mês. Ela contratou uma ajudante e contou com a ajuda da mãe e da irmã para preparar as refeições. Tinha Termo de Autorização de Uso (TPU), as primeiras licenças de estudo de comida de rua concedidas pela prefeitura de São Paulo.

Hoje ele trabalha como motorista de aplicativo e consegue ganhar 3 mil reais por mês líquidos. “Não saio mais de casa”, diz Moreira. “O movimento caiu em relação ao que period antes da pandemia. Na região onde trabalhei, não existe mais esse fluxo que justificasse o retorno dos negócios por lá. coloquei um banco na calçada, não consegui vender nada além do que estava no prazo, period muita burocracia.”

Marcos Paulo Benício também não tem planos de voltar às ruas tão cedo. Ele também tinha um mini carrinho de pizza perto do Yuninow na Barra Funda. Chegou a vender 150 salgadinhos por noite. “Mas a concorrência aumentou e, ao mesmo tempo, muitos começaram a desenvolver a região”, lembra.

Foi então, um ano antes da pandemia, que começou a oferecer marmitex para quem trabalhava na região metropolitana da Barra Funda. “Meu TPU period para lanchar à noite, e a prefeitura não me deixava vender comida durante o dia”, diz.

Durante a pandemia, Benício continuou trabalhando com supply na cozinha, localizada no salão da igreja próxima a sua casa. “Fiz um refeitório dentro de casa, podia entregar comida, mas o pároco native, um negacionista, queria que abríssemos o salão para o culto presencial, mesmo estando tudo fechado por medo de contágio da Covid”, recorda.

Ele acabou saindo do negócio e hoje trabalha como corretor de imóveis. Nas horas vagas também trabalha como motorista de aplicativo. “Tenho até vontade de voltar para a gastronomia, mas preciso me reerguer”, diz Benício, que perdeu as economias durante a pandemia. “Quero comprar um meals truck e começar a trabalhar com eventos.”

Márcio Silva espera o mesmo. Ele começou a trabalhar com o meals truck em 2013, pouco antes da lei da comida de rua ser aprovada em São Paulo. Fez sucesso com dois caminhões da Buzina Burger operando nas áreas da Vila Madalena e do Itaim Bibi, áreas da zona oeste de São Paulo com intensa vida noturna. No caso do Itaim Bibi, a região também abriga escritórios e a Avenida Faria Lima, centro do mercado financeiro paulista.

“Muita gente fica em casa no escritório, que é exatamente o oposto da comida de rua”, diz Silva. Ele afirma ter percebido uma queda no mercado de meals vehicles antes mesmo da pandemia. “O brasileiro não está acostumado com comida de rua, em pé, quer pelo menos um banco para sentar”, diz. “Ele também acredita que pelo fato do restaurante ser na rua, a comida deve ser bem mais barata do que em uma lanchonete ou restaurante”, diz Silva. “Mas não é, se for feito com bons ingredientes, fica um pouco mais barato.”

Além disso, diz o empresário, o brasileiro não gosta muito de mudar o cardápio. “Em Nova York, além dos caminhões terem liberdade de movimento nas ruas, não estarem presos a um ponto fixo, a variedade de pratos é muito maior: tem comida tailandesa, mexicana, grega, chinesa, o que for.” , Ele diz. “Aqui Elderberry começou a servir comida. Mas passamos os últimos três anos vendendo um prato, uma salada e sete tipos de hambúrgueres – isso é tudo que as pessoas comem.”

Depois de atingir vendas de 3.000 sanduíches por mês, ele vendeu um dos caminhões em 2019, com a desaceleração dos negócios. Em 2021, vendeu o segundo caminhão, após a pandemia. Ele pagou R$ 230 mil por dois caminhões. Ele acabou vendendo os carros por 150 mil reais. 12 funcionários demitidos. Hoje, ele atende a hamburgueria Buzina, em Pinheiros, inaugurada em 2017.

“Estamos indo bem, vendemos cerca de 6.000 salgadinhos por mês”, diz. “Mas ainda temos dívidas contraídas por conta da pandemia. Quero voltar a ter um caminhão no futuro, mas menor e só para atender eventos de fim de semana”, diz Silva, que se sente culpado por ter incentivado muitos empresários a experimentar a comida de rua no passado.

Entre 2015 e 2018, estrelou o actuality present Meals Truck – A Batalha no canal GNT, ao lado de Adolf Schäfer, proprietário do Holy Pasta Meals Truck. “Quem fica na rua vende de 40% a 60% menos”, diz Silva.

Marcio Silva critica os chamados “meals parks” – grandes áreas locadas em áreas onde ficavam estacionados caminhões que atendem a população. “Tirou a essência da comida de rua, você tinha que se programar para comer lá em vez de procurar um lugar que vendesse comida boa no caminho”, diz. “Além disso, o aluguel period muito caro.”

A cidade de São Paulo já teve cerca de 30 meals parks, conta Mauricio Schuartz, sócio da produtora audiovisual KQi, responsável pelo Cooks in Rua, que vai ao ar na Journey Field Brasil. Schuartz esteve por trás de alguns desses empreendimentos, como o Meals Park Butantã e o Meals Park Marechal, na zona oeste e centro de São Paulo, respectivamente. A primeira fechou em julho de 2020, primeiro ano da pandemia.

“Avenida Paulista, Domingos [quando o espaço fica fechado para carros], este é um lugar incrível para um meals park”, diz Schuartz. “Acho que existe um vácuo enorme de comida de rua na capital, um empresário precisa entender as necessidades desse novo público pós-pandemia e ter menos barreiras legais para tocar. o negócio. “Acho que as regras mudaram desde 2014.”

SP recebe 30 pedidos de autorização de comida de rua por dia

A Prefeitura de São Paulo informou Folha que o número de licenças de comida de rua no ano passado voltou aos níveis pré-pandêmicos. “Emitimos de 50 a 60 alvarás de venda ambulante por dia, sendo metade para venda de alimentos”, diz Maria Albertina Afonso Henke, diretora do Programa Tô Authorized da Prefeitura de São Paulo.

Fundado em 2019, o Tô Authorized tinha como objetivo instalar ambulantes em 70% das ruas da cidade. Segundo Albertina, no caso específico da comida de rua, isso funcionou como uma evolução em relação ao TPU.

“Enquanto a TPU estabeleceu um native permanente para o licenciado, a Tô Authorized, através de despachos de autorização, permite que o vendedor se registe para trabalhar naquele native por um período de 1 a 90 dias, podendo continuar a trabalhar no native onde se encontra. após esse período ou optar por outro”, diz a dirigente, destacando que todo o processo pode ser feito on-line no website do programa.

A taxa para obtenção de uma licença varia em função do valor exigido do “fiscal do tribunal”, a mesma referência utilizada para calcular o IPTU. Mas o relatório mostrou que nas áreas centrais da cidade de São Paulo, a taxa é de cerca de 900 reais por um período máximo de 90 dias, atendendo seis dias por semana, em dois períodos (manhã, tarde, noite).

Até 5 de janeiro do ano passado, 1.132 TPUs e 1.567 alvarás de alimentação de rua foram emitidos pela Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo. As cinco profissões mais procuradas são salgadinhos, churrasco, pastéis, bolos e biscoitos e cachorro-quente.

“Durante a pandemia, a indústria alimentícia teve que se reinventar, o que também vale para os ambulantes”, diz Helena Andrade, Gerente de Projetos do Sebrae-SP. Muitas pessoas que ficaram desempregadas acabaram recorrendo à venda de alimentos, disse ela, usando até as redes sociais para tentar atrair clientes. “É uma evolução para quem antes usava apenas um folder”, diz.

Helena lembra, porém, que as margens dos empresários de alimentos foram espremidas pela inflação de alimentos e embalagens. “Aumentar a oferta de acordo com os novos hábitos de consumo também tira uma parte importante da renda dos empresários”, diz. Em média, os aplicativos de entrega cobram 27% do valor bruto de um produto.

Manuel Salvino da Silva, 55, foi forçado a mudar para o comércio ambulante em 2022. Depois comandou lanchonetes em dois parques públicos da capital, o Ibirapuera por 15 anos e o Villa Lobos por 18 anos. [–, ele viu a renovação do contrato ser negada depois que os espaços foram concedidos à iniciativa privada.

O empresário e seus sócios partiram, então, para o trailer de lanches que já tinham adquirido em Moema, na zona sul de São Paulo. “A gente abria só aos fins de semana, para atender ao movimento do Parque das Bicicletas, que fica próximo. Mas passamos a abrir todo dia depois que entregamos as lanchonetes”, afirma.

O movimento das ruas está fraco, diz o empresário, mas ainda assim ele consegue vender cerca de 400 lanches por mês. “Isso é mais de fim de semana. Durante a semana, o que vende é bebida, por conta do parque”, diz Salvino da Silva, que está animado mesmo é em voltar a ter um ponto fixo. Vai inaugurar em março a lanchonete Sabor Ibira, mesma marca que usava nos parques.

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