Furnas: Capitólio troca clavas pela contemplação do cânion – 01.08.2023 – Cotidiano

Onde antes havia música alta, com funk e sertanejo como ritmos prioritários, hoje há silêncio. As dezenas de lanchas que lotaram o Lago de Furnas em busca de belos closes nos cânions de Capitólio (MG) agora também estão limitadas.

O banho não é mais permitido em alguns trechos e os barcos não podem parar no ponto turístico, que também tem restrições de visitação em algumas áreas.

Um ano após o rompimento de uma grande rocha que matou dez pessoas no Capitólio em 9 de janeiro de 2022, as políticas de visitantes implementadas desde a reabertura dos cânions em abril foram padronizadas pelo setor de turismo e autoridades reguladoras e gradualmente levaram a uma mudança no perfil dos turistas que visitam a cidade mineira.

Já não há aspecto de clubbing na zona do canyon, com turistas desprotegidos a dançar em lanchas, nem aglomerado de barcos neste native. O uso de capacetes e coletes salva-vidas é obrigatório. Se chover, os barcos param de ir para os cânions. O objetivo é que o passeio de três horas seja contemplativo.

O turismo ainda não se recuperou totalmente do golpe da tragédia e espera que este verão seja favorável, principalmente porque o lago está cheio. Agências consultadas por Folha dizem que os turistas que chegam em veículos próprios estão no mesmo nível de antes, mas os ônibus de turismo diminuíram.

“O turismo caiu significativamente ao longo do ano, diria que cerca de 80%. Os turistas vinham de carro, mas os passeios não. As mudanças deixaram o roteiro ainda mais seguro, esperamos que os turistas voltem como antes”, disse Nivaldo Paulino Júnior, gerente da Tourvo Experiencias, uma das empresas que oferecem passeios aos cânions.

Cerca de 200 lanchas, cada uma com capacidade de 9 a 25 passageiros, contornam a ponte sobre o Rio Turvo, onde começam os percursos. Explorar os cânions e outras atrações do lago, como a Lagoa Azul, o Ninho dos Tucanos e o bar flutuante, custa em média R$ 100 por pessoa.

“Foi difícil, nem todos os barcos saem todos os dias e as empresas mudam”, disse o agente de turismo José Carlos Damasceno.

O que motivou o comerciante Cristiano Oliveira, de 45 anos, de Belo Horizonte, a percorrer 310 quilômetros e conhecer os cânions com a família foi saber que novas regras foram estabelecidas.

“Sempre quis vir, mas sempre achei que period mais para as crianças e não com minha esposa e filhos. Um amigo entrou e disse que não tinha mais música alta e isso me motivou”, disse.

Quando a tragédia aconteceu em janeiro passado, turistas em uma lancha tentaram avisar outro navio que o muro corria risco de quebrar, mas não foram compreendidos. Segundo Paulino Júnior, essa foi a motivação para vetar o som no native.

“Tomamos várias ações para evitar acidentes, como limitar o tráfego de lanchas e proibir barulho nos cânions, mas não só isso, e a marinha tem operação, sabe os horários de saída das lanchas. Antes do acidente havia restrições, mas a fiscalização não period tão intensa como agora”, disse Lucas Arantes, secretário de turismo e cultura de Capitólio.

O native do acidente não está totalmente aberto ao público, o que só deve ocorrer após a conclusão das obras. Em novembro, a prefeitura e o governo de Minas Gerais firmaram convênio para obras de segurança em 2 dos 5 pontos prioritários, que devem levar dois anos para serem concluídas.

Eles foram estimados em R$ 2,9 milhões, dos quais R$ 2 milhões virão do governo do estado para estabilizar as encostas rochosas próximas à cachoeira do cânion, atualmente interditadas.

O native é submetido a monitoramento geológico diário, e os barcos só são liberados no cânion se não forem detectadas anormalidades.

“Do ponto de vista do turismo e da natureza, a viagem hoje é muito mais interessante, porque você vai lá e contempla. Estamos vendo coisas que não víamos há muito tempo, como patos nadando lá e pássaros que desapareceram voltando”, disse o secretário.

A prefeitura está investigando, após as devidas salvaguardas, a ampliação da área visitada e até o número de navios que hoje são rejeitados.

ABUNDÂNCIA

Capitólio leva vantagem sobre as demais cidades banhadas pelo Lago de Furnas, conhecido como o “Mar de Minas”, pois abrange 34 municípios.

Embora o nível do reservatório seja baixo, não afeta tanto o turismo, ao contrário de lugares como Alfenas, Carmo do Rio Claro, Areado e Formiga.

Agora, porém, o lago está acima do nível que Alago (associação de municípios) e o próprio setor turístico consideram supreme.

O desejável em Furnas para atender todas as atividades econômicas e turísticas é o nível d’água de 762 m acima do nível do mar.

Na virada do ano, o nível d’água period de 763,23 m, o que significa que, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema), atingiu 63,95% da capacidade útil do reservatório. O nível máximo é de 768 m e o mínimo é de 750 m.

No mesmo período do ano passado, a capacidade útil period de apenas 28,56%, com 757,18 m3 de água – 6,05 m a menos de água, em um reservatório de 220 km de extensão.

Em setembro de 2021, a capacidade útil atingiu 14,27%, a menor em um mês desde o apagão de 2001. Desde então, o regime de chuvas tem contribuído para o enchimento do reservatório.

Furnas, localizada entre São José da Barra e São João Batista do Glória, no Rio Grande, começou a operar em 1963 e foi a primeira hidrelétrica construída pela empresa que herdou o nome.

À época do início das obras, a capacidade prevista period de um terço da capacidade whole instalada no país.

INCIDENTES

Apesar das regras em vigor na área do cânion, o Capitólio teve incidentes de turismo marítimo em outros lugares ao longo do ano. Em agosto, uma lancha com 17 pessoas atingiu um barranco e virou parcialmente, e dois meses antes duas pessoas morreram depois que o barco virou.

“Temos a maior marina de água doce da América Latina e o número de navios é muito grande, muitos passeios. Tem um incidente ou outro, um navio toca no outro, mas não chama a atenção. Agora eles veem que é o Capitólio e as pessoas. Acho que lá é mais perigoso do que em outros lugares, mas não é”, disse o secretário.

Na tentativa de atrair esse público mais “contemplativo”, o Capitólio promove outros atrativos do turismo rural, como cachoeiras e fazendas especializadas em café e cachaça, além dos clássicos pães e queijos.

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