Lula pode mesmo acabar com a fome em quatro anos? — DV — 19/01/2023

Em discurso proferido emblem após o resultado das eleições de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu compromisso com o fim da fome no Brasil. Em discursos posteriores, o atual chefe do Executivo disse que a meta é que todo brasileiro faça pelo menos três refeições por dia até o last de seu mandato.

Essa meta representa um desafio para o país, que voltou ao Mapa da Fome da FAO/ONU em 2018. A inclusão ocorre quando mais de 2,5% da população de um país enfrenta insegurança alimentar crônica. Os dados são alarmantes, principalmente porque o Brasil saiu da estatística há apenas quatro anos, em 2014.

Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSAAN), existem atualmente 33,1 milhões de brasileiros e cerca de 15,5% dos domicílios do país sem nada para comer. No last de 2020, esse número period de 19,1 milhões, indicando um agravamento da situação durante a pandemia de Covid-19.

A promessa de Lula é também um retorno às conquistas dos primeiros governos do Partido dos Trabalhadores, que criaram o programa Fome Zero em 2003, em um misto de políticas públicas como o Bolsa Família, a criação de restaurantes populares e o investimento em estoques de alimentos e agricultura acquainted.

Porém, na época, o Brasil demorou dez anos para sair do Mapa da Fome, o que aconteceu em 2014 no governo de Dilma Rousseff. Em 2004, a proporção de famílias em situação de insegurança alimentar grave também period de 9,5%, bem abaixo dos atuais 15,5%.

Esses dados mostram que a luta pela segurança alimentar no país será difícil durante os quatro anos de governo Lula. Porém, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, é sim possível retirar o Brasil do Mapa da Fome até 2026. Principalmente porque, segundo economistas e nutricionistas, a situação atual é reflexo da devastação dos programas de ajuda e das políticas públicas, que podem e devem ser renovadas com a experiência dos dias do Fome Zero.

política de renovação

Um dos idealizadores do programa de insegurança alimentar do governo Lula, Walter Belik, também professor aposentado de economia da Unicamp e diretor do Instituto Fome, diz que os programas que apoiaram a saída do Brasil do Mapa da Fome sofreram com orçamentos baixos nos últimos anos. .

Como exemplo, ele cita o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), criado em 2003, que regulamenta as compras governamentais de alimentos de pequenos produtores com doações para alimentação, creches, escolas, hospitais e população carente. Em 2021, o nome do programa foi alterado para Alimenta Brasil. A iniciativa, que teve orçamento de mais de R$ 1 bilhão em 2013, vai até 2023, quando o orçamento federal prevê R$ 2,6 milhões.

É um cenário de terra arrasada, diz, mas o fato de não ter sido um desmonte da política, mas um esvaziamento do orçamento, pode ajudar na recuperação nos próximos anos. não saiu. Tem que investir em programas”, diz Belik, acrescentando que este ano o PAA provavelmente não terá os recursos já aprovados na Lei Orçamentária de 2023.

Apesar disso, ele acredita que é possível reverter a situação atual nos próximos quatro anos. “Claro que a situação tem que ajudar, a economia tem que responder, tem que criar empregos”, diz Belik. “Do ponto de vista authorized e burocrático, os programas podem ser reativados rapidamente.

Um órgão consultivo vinculado ao presidente, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que incluía representantes da sociedade civil que ajudavam a desenvolver políticas públicas, foi extinto pelo governo Bolsonaro. Presidente da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e professora da UFPE, a nutricionista Ruth Guilherme diz que a diretoria já está retomando e deve voltar com o governo Lula.

“Estamos em processo de estruturação, o que é importante. O governo anterior limitou todo esse movimento que deu essa política pública, as duas principais frentes que os governos de Lula e Dilma tiveram, que eram garantir alimentação e garantir renda”, afirma a nutricionista.

Segundo Ruth Guilherme, é possível retirar o Brasil do Mapa da Fome nos próximos anos. “Tínhamos um caminho que foi preenchido. Agora precisamos reiniciá-lo. Funcionou uma vez, pode funcionar de novo – e mais rápido. Estamos com pressa”, confirma.

Em discurso proferido emblem após o resultado da eleição, Lula reafirmou seu compromisso com o fim da fome no Brasil.Foto: DOUGLAS MAGNOT/AFP

Economia

A pesquisa da Rede Penssan também mostra que a insegurança alimentar está diretamente relacionada à situação econômica das famílias. Com renda de um salário mínimo por pessoa, a fome em casa praticamente desaparece, segundo o estudo. Por outro lado, nove em cada dez agregados familiares cuja renda per capita period inferior a 1/4 dos salários apresentavam alguma insegurança alimentar. A fome também é mais visível nos domicílios em que o responsável está desempregado (36,1%), é agricultor acquainted (22,4%) ou trabalha na informalidade (21,1%).

Há dois fatores por trás disso: nenhum aumento actual do salário mínimo, que é um índice desde 2018”, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Mas, para Mario Rodarte, professor de economia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG, esses números não são irreversíveis e as medidas anunciadas pela equipe de Lula estão no caminho certo. “Acho que a remontagem dessa política pública não deve demorar tanto quanto no primeiro governo Lula, porque já existe uma experiência. Isso é de grande importância na máquina do Estado quando há pessoas que sabem como fazê-lo. um elemento que vai importar para que isso seja feito rapidamente”, analisa o economista.

Rodarte diz que uma das medidas que contribuíram diretamente para o aumento dos preços dos alimentos foi o esgotamento dos estoques de grãos do governo, administrados pela Companhia Nacional de Desenvolvimento, desde o governo de Michel Temer (2016-2018). O projeto de repovoamento já foi citado por Lula na campanha do ano passado.

O professor da UFMG diz que os preços dos alimentos precisam ser controlados porque são muito sensíveis às oscilações. “Se você tem uma safra, ela baixa o preço e destrói a economia dos produtores. O oposto acontece quando você não tem uma colheita. isso não é inflação de demanda, não deve se tornar uma espécie de “galope”.

Walter Belik argumenta que o problema do Brasil não é a escassez de alimentos, mas que o país tem um mercado interno vibrante que garante o abastecimento. “Todos os diagnósticos de alta de preços mostram que não foi falta de alimentos, não foi um problema de desequilíbrio entre oferta e demanda. É uma estrutura de mercado distorcida que não deu certo, muito focada nas questões alimentares. ações”, disse o comunicado.

Ele cita ações fundamentais como investir na merenda escolar, em restaurantes populares e também na agricultura acquainted, principalmente com o PAA, que garante preço mínimo aos produtores.

“A maioria dos pobres está nas áreas rurais. Você deve dar os mesmos privilégios do agronegócio para a agricultura acquainted. Tem que ter financiamento, assistência técnica que foi descontinuada, precisa de web na aldeia, antena de celular. para ter certeza de ter acesso ao mercado, saber o preço”, enfatiza.

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