Mendoza, capital do Malbec, aposta em vinhos brancos e rosés – 18/01/2023 – Turismo

Em Mendoza, até as fontes das praças lembram a quem passa por elas: esta é a terra dos malbecs. As águas dançantes tingidas de vermelho em lugares públicos referem-se à variedade de uva pela qual a Argentina é mundialmente famosa por seus vinhos tintos.

Recentemente, porém, visitas a vinícolas espalhadas pela cidade, capital da província de mesmo nome, têm feito os turistas notarem cores diferentes nos copos. Rótulos brancos, rosas e espumantes se multiplicaram entre as opções de algumas marcas e são a nova meta de Mendoza para ganhar prestígio além do clássico malbec.

A Bodega Norton, fundada em 1895, é a maior produtora de vinhos brancos da região. Hoje, pouco mais da metade dos 20 milhões de litros anuais do vinhedo vão para os vinhos tintos. O restante, cerca de 10 milhões de garrafas por ano, são brancos, rosés e espumantes.

Essa mudança, diz Michael Halstrick, CEO e proprietário da Norton, foi projetada há cerca de cinco anos e ganhou força durante a pandemia – não apenas em sua empresa, mas como uma tendência international.

“Talvez porque seja um vinho mais fácil de beber”, diz o austríaco, que se mudou para Mendoza há três décadas para administrar a vinícola Swarovski da família, conhecida pela produção de cristais.
“Antes não vendia nada, mas agora até os brancos estão faltando no mercado”, acrescenta, mais conhecido como Miguel do Novo Mundo.

Ele diz que as exportações são lideradas pelos Estados Unidos e Holanda. O Brasil, onde os vinhos Norton são distribuídos pela importadora Casa Flora, deve se tornar um mercado do mesmo porte.

Um dos reforços da linha branca veio da terra natal da família dos proprietários: a variedade austríaca Grüner Veltliner. Os primeiros rótulos surgiram entre 2018 e 2019, fazendo da Norton, comandada pelo enólogo argentino David Bonomi, a primeira vinícola da América do Sul a utilizar esta cepa.

Mas a produção de vinhos brancos e rosés não se limita às novas castas da região, muito pelo contrário. A uva Malbec, quando suavemente prensada, não deixa no mosto a cor intensa da casca e dá origem ao ‘malbec blanco’ e ao ‘malbec rosado’.

A vinícola Susana Balbo, da enóloga homônima, pioneira entre as mulheres na profissão na Argentina, é uma das que adotaram esse outro uso.

“A Argentina é conhecida por seus vinhos tintos fortes, especialmente o malbec, mas nosso DNA inovador nos permite pensar fora da caixa e representar nosso país com vinhos brancos e rosés de alta qualidade”, diz o texto da vinícola que convida a visitar a sede. Na Susana Balbo, 30% a 40% da produção atualmente é branca e rosa.

Além dos dados do mercado, o crescimento desses vinhos faz com que os turistas possam desfrutar de Mendoza em copos de bebidas mais leves e frescas, ideais para o calor.

E apenas uma das melhores épocas para descobrir (ou revisitar) a região começa em janeiro. Do last desse mês até abril, quando as temperaturas atingem facilmente os 30°C, as uvas são colhidas.

É neste período que se podem ver belas imagens de vinhas cheias de folhas e cachos de uvas, ao contrário do que se vê no inverno, quando apenas ramos de plantas permanecem entre a neve – não esta cena gelada, rodeada pela Os Andes e seus picos sempre brancos não impressionam. Afinal, em 2022, a província de Mendoza foi visitada por 3,5 milhões de pessoas, somadas todas as estações.

Para comemorar a época das colheitas, a capital realiza anualmente uma festa com apresentações de música e dança. Em 2023, o programa será executado de 3 a 6 de março (informações em vendimia.mendoza.gov.ar). Nesses meses, as vinícolas costumam oferecer também passeios especiais que permitem aos visitantes conhecer de perto essa etapa da produção e até ajudar na colheita.

Alguns alertas para os novatos enoturistas: a região é muito ensolarada e seca. Se no caso dos vinhos esta combinação é mestra – somada à água que se desprende da serra e irriga as plantas – então para os turistas merece atenção. Protetor photo voltaic, chapéu e água são essenciais.

Observe também que em Mendoza não é permitido dirigir sob efeito de álcool. A política de tolerância zero do Brasil se aplica ao álcool. Desta forma, o mais recomendado é contratar excursions pelos vinhedos.

Além disso, é bom ter motoristas profissionais, pois há regiões que só podem ser alcançadas pelas estradas mais difíceis – mas isso compensa as paisagens extremas. Quem busca explorar as novas fronteiras da produção em Mendoza, como o Vale do Uco, pode esperar paisagens rochosas à beira da Cordilheira dos Andes a caminho de vinhedos como Finca Sophenia e Andeluna.

É lá, pela grande amplitude térmica, características do solo e altitude elevada (acima de 1.000 metros), que as uvas malbec e muitas outras garantem garrafas de admirável equilíbrio e acidez – em todas as cores.


VISITAS AO WINE BAR

Norton
Está aberto para visitas e atividades de segunda a domingo. Custam de 4.500 pesos (cerca de R$ 127) a 21.500 pesos (R$ 608) por pessoa. Reserva obrigatória em wineobs.com.ar/mro/norton.

Susana Balbo
Há passeios e degustações diárias, e os preços variam de 6.500 pesos (R$ 183) a 41.500 pesos (R$ 1.170) por pessoa, mediante reserva. Informações em turismo-susana-balbo-wines.meitre.com.

Andeluna
Recebe visitas de terça a domingo, e os programas variam de 5.550 pesos (R$ 156) a 21.530 pesos (R$ 607) por pessoa. Reservas em wineobs.com.ar/mro/andeluna.

conjunto habitacional Zofia
Visitas de terça a sábado, de 3.200 pesos (R$ 90) a 6.500 pesos (R$ 183) por pessoa. As reservas devem ser feitas pelo e-mail tovises@sophenia.com.ar. Informações em sophenia.com.ar.

A jornalista viajou a convite da Bodega Norton

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