nós de cacau amargo

Chocolate é bom para todos. Todos os doces são à base de grãos de cacau torrados e moídos (theobroma cacau). Inspirado no nome científico da espécie: meals (zoar) dos Deuses (Theos). Do cacaueiro, além das amêndoas, a polpa também é utilizada para produzir sorvetes, sucos, geleias e até destilados. Nativo da Amazônia, o cacau foi domesticado e gradualmente cultivado nas regiões úmidas das Américas muito antes da chegada dos europeus. No Brasil, o cacau passa por uma série de dias difíceis. No closing do século passado, ele foi vítima de bioterrorismo na Bahia. Recentemente, uma praga devastadora atingiu a Amazônia – a moniliose.

Cacauais no sul da Bahia | Foto: Francisco Dre/Shutterstock

A agricultura, em termos de saúde, está longe da natureza. Os portugueses sabiam disso e selecionavam colheitas em locais distantes de sua origem. No século XVI, Portugal já tinha uma experiência empírica consolidada na produção e melhoramento de frutos. Foi um processo de “educação” e aclimatação das plantas. Luís de Camões até mencionou o melhoramento do pêssego (ameixa persa l.), em Lusíadas (inglês)Canto IX – Est. 58):

“O pomo, que veio da pátria da Pérsia,
O melhor twister em uma terra estrangeira.”

Eles introduziram diferentes culturas em sua invenção do Brasil (coco, laranja, cana-de-açúcar e banana…) com o cuidado de trazer as melhores plantas livres de pragas ou doenças. Nas ilhas atlânticas, no século XVII, foi criada para o efeito uma rede de jardins botânicos e de aclimatações.

O café vem da África, e a maior produção está na América e na Ásia. A mandioca e a seringueira são nativas das Américas, com a maior produção na África e na Ásia. O dendezeiro é africano e sua maior produção está na Ásia. Todos longe das epidemias e doenças de suas terras nativas. O cacau é produzido na América, e os dois maiores produtores estão na África: Costa do Marfim e Gana (50% da produção mundial), longe das pragas e doenças americanas. Nigéria e Camarões produzem muito mais cacau do que o Brasil. O terceiro produtor mundial é a Indonésia. Cacaueiros e seringueiras crescem felizes ali, separados por dois oceanos de doenças e pragas amazônicas.

Mesmo quando o Brasil period um grande produtor, o cacau period cultivado na Bahia, isolado das pragas da Amazônia nativa. O cacau trouxe muita riqueza ao sul da Bahia e ao país. A Civilização Cacaueira Baiana imortalizada por Jorge Amado nos livros (Cacau, São Jorge dos Ilhéus) e símbolos. Até que um grupo de militantes e bioterroristas trouxe uma praga de vassouras de bruxa da Amazônia (Moniliophthora prejudicial) e a introduziu no sul da Bahia na década de 1980.

Segundo relatos próprios, eles viajaram várias vezes de ônibus para Rondônia em busca da doença. Na volta, amarraram galhos com vassoura de bruxa em árvores de fazendas selecionadas por critérios políticos. A doença se espalhou e destruiu as plantações. O objetivo revolucionário period quebrar os barões do cacau. Eles fizeram isso. E não só.

Cacau afetado pela praga da vassoura de bruxa
Cacau atingido por vassoura de bruxa | Foto: Reprodução/USP

Junto com a colheita, a vida e os sonhos de milhares de famílias de trabalhadores rurais, pequenos e grandes agricultores e comerciantes de cacau foram destruídos. 250.000 empregos foram eliminados. Isso desencadeou um êxodo de cerca de 800.000 homens, mulheres e crianças das fazendas. Como mostra o filme, o suicídio destruiu a economia de quase uma centena de municípios. Nó: ação humana intencional. Resultado? Tudo será esquecido, nada pode ser consertado, disse Milan Kundera.

As consequências desse desastre de pragas ainda afetam a região, que abriga quase 3 milhões de pessoas. Grandes áreas de cacau sob cobertura florestal foram eventualmente desmatadas para dar lugar à pecuária. Além dos prejuízos econômicos e sociais, grandes danos foram causados ​​à fauna, à flora e à biodiversidade da Mata Atlântica.

Eles introduziram diferentes culturas em sua invenção do Brasil (coco, laranja, cana-de-açúcar e banana…) com o cuidado de trazer as melhores plantas livres de pragas ou doenças. Nas ilhas atlânticas, no século XVII, foi criada para o efeito uma rede de jardins botânicos e de aclimatações.

A produção anual brasileira de cerca de 450.000 toneladas caiu para pouco mais de 200.000 toneladas. Com a vassoura de bruxa, a participação do Brasil no mercado internacional caiu de 6% para 0,2%. A presença da vassoura-de-bruxa na Bahia ainda hoje é sentida. O Brasil deixou de ser um dos maiores exportadores de cacau do mundo. Tornou-se um importador. A produção nacional não atende às necessidades da indústria de chocolate. A capacidade de processamento de cacau do Brasil ultrapassa 300.000 toneladas de amêndoas por ano. Segundo a Associação Nacional das Empresas Processadoras de Cacau, que reúne as três maiores casas de farinha, só a capacidade produtiva instalada na Bahia permite moer 275 mil toneladas de amêndoas/ano. O parque fabril conta com oficinas de processamento de médio e pequeno porte e pelo menos uma centena de marcas de chocolate. Muitos usam amêndoas diretamente para seus produtos. Com uma produção média anual de 209 mil toneladas por ano entre 2019 e 2021, as indústrias estão importando cacau para reduzir o tempo de inatividade.

sementes de cacau
grãos de cacau | Foto: Gustavo Mellossa/Shutterstock

Das 218 mil toneladas de cacau processadas na indústria, 25% são amêndoas importadas. E surgem novos problemas. Como se não bastassem a vassoura de bruxa e a podridão negra, ainda há o problema tributário. O recebimento de amêndoas de cacau africano adquiridas pela indústria nacional com isenção de impostos (falha), reduz o preço em produtos no Brasil e prejudica os produtores brasileiros. Além disso, existe o risco de possível introdução de novas pragas em remessas de amêndoas importadas do continente africano ou de outros lugares.

Aos poucos, o país está reformulando a geografia do cacau. Nos últimos anos, houve uma expansão sem precedentes do cultivo de cacau em áreas não tradicionais de Caatinga e Cerrado, apoiadas pela irrigação. Há duas décadas as plantações de cacau crescem no Pará, na região da Transamazônica. O estado já responde por cerca de metade da produção nacional. Sua área cultivada, que é de cerca de 210 mil hectares, gera cerca de 340 mil empregos e movimenta até 1,7 bilhão de reais por ano. Como fator de desenvolvimento social, o cacau contribui para a geração de renda de mais de 30 mil famílias de pequenos agricultores. O cultivo no Pará continua em expansão e precisa ser manejado com grandes riscos sanitários.

Parte do aumento da área plantada entre pequenos agricultores no Pará é de mudas não certificadas de viveiros não regulamentados. Esse comércio clandestino de materials de plantio vai até da Bahia e do Espírito Santo, onde as condições climáticas diferem das do Pará. O cacaueiro é uma árvore. Quem garante a produtividade e rentabilidade por muitos anos de mudas que não foram avaliadas por pesquisadores e especialistas? O mutirão (Embrapa, Agência de Defesa Agropecuária do Pará, Ceplac…) visa regularizar os viveiros, conscientizar os produtores e combater a ilegalidade.

O cacau vive sob constante ameaça de pessoas irresponsáveis, problemas econômicos, serviços de saúde sem recursos suficientes, pragas e doenças. Exemplo: moniliose (Moniliophthora roreri). Este fungo causa grandes prejuízos na produção de cacau e cupuaçu (Theobroma grandiflora), da mesma família do cacau, e aumenta os custos (medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas).

Cacau afetado pela moniliose
Cacau afetado por moniliose | Foto: Reprodução/MAPA

Descoberto no século passado na Colômbia, sua distribuição continuou pelo Equador (1917), Venezuela (1941), Panamá (1949), Costa Rica (1978), Nicarágua (1980), Peru (1988), Honduras (1997), Guatemala (2002) , Belize (2004), México (2005) e Bolívia (2012). Até recentemente, a doença estava presente em todos os países produtores de cacau da América Latina, exceto no Brasil. O aumento da circulação humana nos países amazônicos aumentou o risco de sua introdução no Brasil.

O primeiro foco foi detectado em julho de 2021 na zona urbana do município de Cruzeiro do Sul em Akko. Medidas foram tomadas para erradicar a doença. Em agosto de 2022, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) prorrogou por um ano o estado de emergência fitossanitária devido ao risco iminente de introdução dessa praga quarentenária em Akko, Amazonas e Rondônia.

A produção anual brasileira de cerca de 450.000 toneladas caiu para pouco mais de 200.000 toneladas. Com a vassoura de bruxa, a participação do Brasil no mercado internacional caiu de 6% para 0,2%. A presença da vassoura-de-bruxa na Bahia ainda hoje é sentida. O Brasil deixou de ser um dos maiores exportadores de cacau do mundo. Tornou-se um importador. Produção nacional não atende a indústria de chocolate

No closing do ano passado, foi detectado um surto de moniliose em comunidades litorâneas de Tabatinga, no Amazonas, região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A Secretaria de Defesa da Agricultura do Ministério da Agricultura, a Embrapa e a Agência de Defesa da Agricultura e Florestas do Amazonas confirmaram a doença. Medidas emergenciais visarão prevenir a disseminação da moniliose para outras áreas de cultivo de cacau e cupuaçu.

A meta do Brasil é ser autossuficiente em cacau até 2025. Até 2030, o país quer se destacar como produtor de cacau e chocolate de qualidade, preservando o meio ambiente. Isso exigirá uma grande evolução das tecnologias, produtos, processos e serviços do cacau. A Ceplac desenvolve e distribui novas variedades de cacau mais resistentes a pragas e doenças e tecnologias para melhorar a produtividade do cacau: manejo adequado da lavoura; adubação e fertirrigação; uso de sementes híbridas e clones de alto rendimento; controle de pragas e doenças; otimização de produtos e processos na pós-colheita e nas agroindústrias.

Chocolate
Foto: Shutterstock

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) falou no Cacau Conecta AgTechs 2022 pedindo iniciantes eliminar gargalos na produção. A etapa closing e a cerimônia de premiação aconteceram em dezembro passado durante o São Paulo Chocolate Pageant 2022, o maior evento de chocolate e cacau da América Latina.

Todos esses esforços podem falhar se a biossegurança do cacau falhar. A atividade agrícola no Brasil está exposta e exposta ao bioterrorismo. Basta pensar na gravidade de uma possível introdução da gripe aviária, recém-chegada ao Peru, ou da reintrodução da peste suína. Como informar produtores, comerciantes, consumidores e autoridades sobre os riscos sanitários das lavouras? Como prevenir e conter o bioterrorismo com a ajuda de serviços especiais? Sem sindicato, milhares de pequenos produtores de cacau poderiam ser vítimas da introdução involuntária ou criminosa de pragas e doenças. E o chocolate continuará caro e amargo.

cacau nas pernas
Foto: Shutterstock

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