Os cargos governamentais devem ser preenchidos por pessoas com capacidade e experiência

Primeiro grande projeto Academia Brasileira de Eventos e Turismocerca de Brasil 2030¹, faz cinco anos e é lembrado em matéria² no Revista Acadêmica Nº 8se prof. Eduard Mielkeseu diretor:O estudo foi realizado na temporada 2017/8, sob encomenda do diretor Sergio Junqueira, sob a liderança do saudoso Sérgio Pasqualin. No estudo, usamos Delphi (método de pesquisa qualitativa) para saber de cientistas e especialistas como eles veem o futuro do setor de turismo e eventos do país. A principal vantagem de usar esse tipo de metodologia é a conectividade. Buscar o consenso através do contato com quem está na vanguarda, na vanguarda, e que tem o privilégio de ver o setor como ninguém. Uma visão do todo, poderosa e profunda.

Cinco anos depois, muitas de suas conclusões permanecem válidas, algumas apontando para o pequeno espaço que conquistamos. Abaixo vou listar alguns:

“Enquanto houver um Ministério do Turismo, o setor não é reconhecido como um instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico”.

“A perspectiva da importância dos municípios para o setor de eventos e turismo precisa ser salva, a regionalização fica só no papel.”

“Nunca o associativismo foi tão importante como no cenário atual, cheio de desconfiança e incerteza.”

“Dada an actual situação das políticas de turismo, é preciso retomar as discussões sobre o fortalecimento institucional e o papel das nossas entidades representativas do setor de eventos e turismo! Enquanto estivermos distraídos, cada um olhando para o próprio umbigo, não avançaremos”.

Reportado por Shin Suzukina BBC Information Brasil, estudo do prof. Alexandra Panosso Nettogrande parceiro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e da LAB Academia, traz algumas conclusões em linha com o cenário apontado em “Brasil 2030”.

A pesquisa constatou que mesmo durante o growth do turismo internacional na última década, o Brasil manteve pouco mais de 6 milhões de visitantes estrangeiros por ano. Nesse período, o país ainda teve uma rara oportunidade de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas em dois anos, mas o aumento entre 2014 e 2019 foi ínfimo: um leve aumento (que também pode ser visto como estagnado) de 6,31 milhões para 6,35 milhões“.

O Brasil nem está na lista da Organização Mundial do Turismo dos 50 países com maior número de chegadas de turistas. Em comparação, um lugar no Vietnã, Ha Lengthy Bay, recebeu quase o equivalente a todo o Brasil: 6,2 milhões, segundo a Euromonitor. O Vietnã como um todo lida com 18 milhões de viajantes internacionais por ano.” Uma análise da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade, vinculada ao Ministério da Economia, afirma que no ano passado: “O Brasil não faz parte dos roteiros turísticos mundiais, no Brasil 93% dos visitantes são locais“.

Para Alexandre Panosso Netto, coordenador da pós-graduação em turismo da Universidade de São Paulo (USP), esse caminho de desenvolvimento não se torna uma política de Estado séria por vários motivos: “concorrência de várias áreas e incompreensão dos aspectos positivos do turismo como vector e alavanca de integração social, valorização da cultura e diversidade de pensamento e aprendizagem“.

A violência, a corrupção, um ambiente hostil às mulheres e à comunidade LGBTQ+, aliados à degradação da imagem do país nos últimos anos em áreas como o ambiente e a gestão da pandemia do coronavírus, não criam um cenário muito atractivo para os turistas considerarem Brasil como destinodiz Panosso Netto.

A pesquisadora também diz que o país tem ligação com histórias de corrupção”afetam a forma como os turistas nacionais e internacionais percebem o Brasil como um destino. Se é um lugar onde surgem notícias de corrupção, você também pode imaginar que é um lugar perigoso“.

O estudo cita um índice elaborado pelos jornalistas Asher e Lyric Fergusson(4), que classifica os países mais perigosos para mulheres que viajam sozinhas. O Brasil está em segundo lugar atrás da África do Sul.

A imagem do Brasil também não foi ajudada pela mudança do slogan oficial do turismo brasileiro em 2019. A expressão usada na promoção “Visite e nos ame” (Visite e ame, traduzido literalmente) foi considerada lenta e incomum em inglês, além de soar com conotações sexuais.

Em um artigo do livro Vacation spot Advertising and marketing (5), Bruno WendlingSecretário de Turismo do MS, também trata da questão da Marca Brasil: “A descontinuidade das políticas públicas que foram planejadas e implementadas no passado é um dos principais gargalos da falta de posicionamento e gestão do Destino e da Marca Brasil. Falando da marca Brasil, não posso deixar de expressar minha indignação com a mudança da marca que representa nosso país, bem como a questão da ideologia, falta de capacidade técnica e gerencial e a decisão unilateral do presidente da Embratur“.

Declaração em consonância com o estudo Panosso Netto: “Políticas específicas de turismo devem ser baseadas em um processo de planejamento contínuo. Para garantir um desenvolvimento mais sustentável do setor, o Ministério do Turismo e a Embrature devem se caracterizar pela excelente qualidade técnica e planejamento de longo prazo“.

Voltando ao artigo de Wendling, “a falta de uma política pública estruturada é resultado da falta de capacidade, conhecimento e foco, não prioriza o turismo como atividade econômica, usando a carteira apenas como ferramenta de política. Isso não é uma crítica direta, apenas uma constatação que infelizmente é uma realidade para a maioria dos destinos no Brasil. Os altos dirigentes (presidentes, governadores e prefeitos) ainda não dão importância à pasta do turismo na composição do governo. Continua servindo como moeda de troca política que atinge pessoas que não têm o perfil adequado, levando à falta de planejamento, foco e, consequentemente, limitando as oportunidades de desenvolvimento do destino.“.

E Wendling continua:Há anos é notória a falta de gestão e advertising no Brasil. É uma declaração fácil. Números, falta de posicionamento claro, estratégias e ações voltadas para o mercado, perda de imagem como destino atrativo são apenas alguns dos pontos que me levam a esta conclusão“.

Há alguns anos o Brasil já tinha uma estratégia bem definida, seja de promoção doméstica com o Ministério do Turismo ou internacional com a Embratur, trabalhando a segmentação da oferta e da demanda, com campanhas desenhadas com posicionamento e investimentos mais claros (mesmo que sempre abaixo do que precisávamos ) realizado com o mínimo de consistência técnica. Agora há uma lacuna de governança, nenhuma política pública clara e compatível com o mercado, nenhuma governança nacional. Isso demonstra a ineficiência do Conselho Nacional de Turismo, que não se reuniu nenhuma vez durante a pandemia para traçar estratégias conjuntas para a retomada do setor, além da falta de um planejamento claro, com metas e objetivos específicos para orientar estados e destinos no Brasil“.

Enquanto os EUA e o Brasil se preparam para renovar seus líderes, esperamos que a desastrosa descoberta de Bruno Wendling e Panosso Netto não se repita pelos recém-eleitos. É necessário que os cargos no Ministério do Turismo, Embrature e secretarias estaduais sejam ocupados por pessoas com perfil que permita compreender a importância da indústria de eventos, turismo, viagens e entretenimento como fator econômico, mas também para o desenvolvimento da cultura e transferência de conhecimento.

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¹ https://bit.ly/BrasilEventos2030

² “Onde estão nossas frases-chave para 2023-2026”, Dr. Eduardo Mielke, Revista Academia nº 8 – http://bit.ly/3WQBnH8

³ https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63671736

4. https://www.asherfergusson.com/solo-female-travel-safety/

5. Advertising and marketing de destino – dr. hab. Eduardo Mielke e outros – 2022 – https://www.editorareflexao.com.br/universidades/grupo-conecta-eventos/marketing-de-destinos

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