País onde cebola é mais cara que carne – 14/01/2023 – Mercado

Como em muitos países latino-americanos, alho e cebola formam a base da culinária filipina. O hábito de assar os dois ingredientes remonta ao período da colonização espanhola, que durou entre 1521 e 1898 e acabou influenciando a culinária do país.

No entanto, por quase um mês, a cebola se tornou um merchandise de luxo para os filipinos. Literalmente: depois do salto de preço, custou mais que a carne bovina e o frango.

Nesta semana, o quilo de cebola roxa e branca custou 600 pesos filipinos, cerca de 55 reais 44); frango inteiro, 220 pesos (20 reais).

Esse valor é superior ao salário mínimo diário nas Filipinas, que gira em torno de 500 pesos (46 reais) e varia de acordo com o setor.

Com a alta dos preços, as autoridades do país chegaram a apreender o contrabando da hortaliça. Em um deles, um carregamento de cebolas ensacadas no valor de 17 milhões de pesos (1,58 milhão de reais) foi interceptado no início de janeiro, relatado como roupas.

Nas redes sociais, os filipinos expressaram seu ressentimento contra o governo, que, em sua opinião, tem parte da culpa pela situação atual, e com bom humor.

“Adeus chocolate, olá cebola. As cebolas estão se tornando uma das melhores lembranças de viagem que você pode dar a um filipino”, escreveu o filipino, que mora nos Estados Unidos, em um submit no Twitter.

“Estamos trazendo cebolas em vez de chocolate de uma viagem à Arábia Saudita”, escreveu outro.

Ainda durante uma viagem aos Estados Unidos, outro usuário compartilhou a imagem de um pote de cebola em pó: “Porque a cebola ficou dourada nas Filipinas, queria comprar aqui para dar de presente, mas já tinha ido a cinco supermercados. e todos estão esgotados. Perguntei à empregada e ela disse: “Ah, os turistas filipinos compram muito.” Eu quero saber porque…”

Nicolas Mapa, morador de Manila, capital das Filipinas, conta que alguns restaurantes até pararam de vender produtos que contenham cebola – por exemplo, as porções de anéis de cebola em hambúrgueres desapareceram de alguns cardápios.

“Eles não conseguem precificar adequadamente seus produtos ou simplesmente não podem fornecer o arco”, disse ele em entrevista por e-mail à BBC Information Brasil.

Alguns, como o chef Jem Melchor, fundador do Philippine Culinary Heritage Motion, estão procurando substitutos. Recorreu a uma cebola native chamada “lasona”, que tem um sabor diferente das variedades tradicionalmente utilizadas e é muito pequena, do tamanho de uma uva.

“A situação afetou tanto os restaurantes quanto a população em geral. 600 pesos é uma quantia cara, por isso estamos tentando aproveitar ao máximo o que temos entre as alternativas”, disse ele no relatório.

“A cebola é muito importante para a culinária native. Ele entra em quase todos os pratos que cozinhamos aqui. É o ingrediente essencial em toda cozinha filipina”, acrescenta.

Por que as cebolas ficaram tão caras nas Filipinas?

O mapa mostra pelo menos dois fatores que explicam a alta dos preços.

As previsões do Ministério da Agricultura divulgadas em agosto indicavam que o país produziria menos cebolas do que a demanda estimada no closing de 2022. No entanto, o quantity foi pior do que o esperado, com um tremendous tufão atingindo as Filipinas entre agosto e setembro. maiores danos às plantações.

“Infelizmente, as importações foram feitas tardiamente, só depois da alta dos preços, e muito perto do período da safra, ou seja, em fevereiro”, avalia o economista.

Na primeira semana de janeiro, o governo aprovou a importação de cerca de 22 milhões de toneladas de cebola para tentar normalizar a oferta e manter os preços baixos.

A demora, para especialistas como Fermín Adriano, que já foi assessor do Ministério da Agricultura, foi uma grande falha da atual gestão.

Em sua avaliação, como o governo sabia que esse produto estaria em falta no mercado interno, deveria, para garantir a segurança alimentar do povo filipino, encomendar importações em nível suficiente para pelo menos igualar a oferta com a demanda esperada.

Em uma coluna no The Manila Instances, ele lembra que a senadora Maria Imelda Josefa “Imi” Marcos, irmã do presidente Ferdinand Marcos Jr., criticou um relatório do Departamento de Agricultura de agosto que dizia que pessoas maliciosas em uma pasta queriam criar a falsa ideia de falta de produto para lucrar com possíveis importações.

controle bongbong

Nas redes sociais, muitos filipinos veem uma ligação entre a gestão desorganizada do setor agrícola e o fato de o polêmico Ferdinand Marcos, o Jovem, conhecido como “Bongbong” e eleito presidente no ano passado, ter se nomeado ministro da Agricultura sem sequer ter experiência em o campo. . . .

Ele é filho do ditador Ferdinand Marcos, que liderou um regime brutal nas Filipinas nas décadas de 1970 e 1980, derrubado por grandes protestos populares que forçaram a família a fugir do país em 1986.

Em 1991, Bonbong voltou ao país e iniciou sua carreira política. Foi governador, deputado e senador antes de ser eleito presidente. Parte da campanha de Marcos foi construída para tentar doutrinar os eleitores com a ideia de que a ditadura period uma “period de ouro”, frase que muitos usaram ironicamente nas redes sociais, escrevendo brincando que o “ouro” de que o político falava period o preço. Lucas.

A terceira hortaliça mais produzida no mundo

Cindy van Rijsvik, analista de frutas e vegetais do Rabobank, diz que as Filipinas são tradicionalmente um país importador de cebola, o que significa que a produção doméstica tende a ser insuficiente para atender à demanda.

Essa necessidade flutua muito, de 5 milhões de quilos em 2011 para impressionantes 132 milhões de quilos em 2016.

“Geralmente um país compra da Índia, da China e até da Holanda, dependendo do preço e da disponibilidade”, diz o analista holandês da BBC Information Brasil.

Uma das razões é que a maior parte do cultivo no país, dadas as condições físicas e climáticas, é de variedades de cebola com vida útil curta. Isso é diferente do que acontece, acrescenta ela, em partes do norte da Europa e da América do Norte, onde as cebolas podem ser armazenadas por até um ano nas condições certas.

A popularidade das cebolas se estende muito além da América Latina, da Península Ibérica e das Filipinas. O especialista afirma que a lista de países que utilizam vegetais para cozinhar é longa.

“Na maioria das regiões do mundo, está entre as três principais hortaliças consumidas pela população. É por isso que a cebola também é a terceira hortaliça do mundo em termos de produção. Só o tomate e o pepino têm mais produção”, acrescenta.

O arco também é vilão no Brasil.

Os preços da cebola subiram em menor grau em vários outros países. Inclusive no Brasil, onde foi a commodity com maior crescimento acumulado em 2022: 130,14%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para se ter uma ideia da magnitude, digamos que o número dois da lista, o inhame, subiu 62% no ano passado.

As razões para o aumento incluem área reduzida para os agricultores e aumento dos custos de produção, já que insumos como fertilizantes e pesticidas foram afetados pelo dólar forte e pela guerra na Ucrânia.

Este texto foi publicado originalmente aqui.

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