Perspectivas do Agronegócio 2023 – Diário do Comércio

Segundo o Mapa, os pequenos produtores do país fecharam 787,9 mil. contratos, sendo que a média é de 137,6 mil. | Crédito: divulgação

*Autor: Diogo Luchiari Fructuoso

O PIB cresceu 0,4% no terceiro trimestre de 2022 em relação ao segundo trimestre com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo período de 2021, houve aumento de 3,6%. Apesar disso, o setor agropecuário registrou resultados modestos, com queda de 0,9% e alta de 3,2% na comparação interanual. No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 8,1%, com destaque para alimentos, agropecuários, veículos automotores e serviços, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, 2022 trouxe mudanças no cenário geopolítico, o que exige um exame cuidadoso das perspectivas para o agronegócio em 2023.

Diante de um novo governo eleito, alguns temores são naturais, pois a nova administração tem uma orientação política muito diferente da anterior.

O agronegócio é um dos principais setores da economia brasileira, tornando-se responsabilidade de cada governo manter o setor aquecido para atender às crescentes demandas nacionais e mundiais.

A virada do ano trará mudanças junto com a mudança de governantes. No entanto, o que pode garantir a estabilidade do setor, independentemente dos procedimentos da nova administração, é que o agronegócio é uma atividade econômica pujante e cada vez menos dependente do Estado.

O Brasil é uma potência agroalimentar international e o protagonismo da agricultura no PIB brasileiro não é obra de um governo em explicit, portanto seu potencial continua forte em qualquer governo.

Perspectivas para as Empresas do Agronegócio – Na contramão dos desafios enfrentados pela economia em função da pandemia da Covid-19, em 2020 o setor encerrou o ano com 26,6% de participação na geração de riqueza do PIB. Segundo relatório da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2021 essa participação aumentou para 27,5%, e em 2022 esse indicador deve crescer mais 2,8%.

O que impulsionou esse crescimento em tempos tão difíceis foi a demanda de diversos países que, preocupados com sua segurança alimentar, fecharam diversos acordos comerciais com o agro brasileiro. Desta forma, as exportações aumentaram rapidamente e muitos empregos, negócios e renda foram criados.

Em 2023, as perspectivas são promissoras, devido a alguns fatores:

1. Os subsídios federais para o agronegócio no Brasil são historicamente baixos – Pesquisas da OCDE mostram que os subsídios federais para o agronegócio brasileiro têm sido baixos para vários governos.

Por exemplo, nos últimos 10 anos, os gastos com o setor agrícola representaram apenas 0,7% do gasto federal whole. Portanto, a renda e o crescimento gerados no agro são fruto de suas próprias atividades e de sua relação com o mundo exterior.

2. Políticas públicas podem ser promissoras – além do crescimento já bem administrado pela atual administração federal, há a perspectiva de um futuro governo que em seu primeiro mandato, em 2003, estimulou o cooperativismo e o seguro rural. Assim, além de continuar atendendo ao mercado externo, o setor deve seguir forte entre os pequenos produtores e a agricultura acquainted.

3. Demanda no mercado interno tem força para compensar eventuais perdas – Ainda que a instabilidade geopolítica e econômica mundial aponte para a continuidade de conflitos na Europa e alta inflação em diversos países, o consumo das famílias brasileiras deve ser sustentado por medidas de estímulo à renda.

Agronegócio mais digital – se por um lado o setor pode esperar por mais incentivos e investimentos para se manter aquecido, as empresas desse segmento precisam se preparar para que a trajetória de compra do produtor rural gere mais oportunidades de negócios.

Há muitos anos, a maioria dos fabricantes nem sequer usava smartphones, e a realidade mudou muito rapidamente: a period da conectividade chegou com força no campo.

Segundo estudo da Associação Brasileira de Advertising and marketing Rural e Agronegócio, hoje mais de 90% dos agricultores possuem celular, sendo que mais de 94% deles usam até WhatsApp.

O crescente crescimento da presença digital dos produtores rurais torna imprescindível o domínio das técnicas de criação de estratégias de comunicação para cada segmento desse público nas plataformas on-line. Isso requer identificar os principais pontos de contato no caminho de compra de um produtor rural. Afinal, a interação on-line tem impacto direto no desempenho financeiro das empresas do setor.

Para capitalizar os resultados dos negócios dessa cadeia, a estratégia de comunicação deve ser construída de acordo com a realidade do setor, ou seja, desenvolvida com base na experience de quem realmente é especialista em agronegócio, não apenas em advertising ou comunicação.

Vale ressaltar que os produtores rurais, além de mais conectados, também estão mais atentos às informações pessoais que deixam nas plataformas em que navegam on-line.

Por outro lado, a publicidade digital avança no desenvolvimento de ferramentas voltadas para a privacidade, ou seja, totalmente aderente às restrições da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados para garantir a proteção dos dados pessoais dos usuários.

Não basta garantir presença digital na agricultura, é preciso conhecimento, visão estratégica e técnica para interagir adequadamente com um dos setores mais promissores da economia brasileira.

Em breve se abrirão as portas para 2023. As corporações que não conseguirem se adaptar aos desafios da modernidade líquida, também adormecida no agronegócio, correm o risco de perder saborosas fatias desse bolo.

*Sócio e chefe de operações dará Macforlligence

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