Quanto Pacheco gastou em viagens nacionais e internacionais em 2022

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), gastou R$ 1,2 milhão em jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) em 2022 – metade em voos de volta para sua casa em Belo Horizonte. Mas ele tinha mais despesas de viagem. Foram R$ 407 mil com diárias e R$ 265 mil com cartões de empresas para os seguranças que acompanham o presidente. Um whole de R$ 1,9 milhão. Problemas com a passagem desses consultores são confidenciais. Só as viagens internacionais custam R$ 160 mil com diárias.

Pacheco reservou uma viagem specific a Paris de 20 a 30 de dezembro. Um Policial Legislativo já havia recebido 11 diárias no valor de 23.800 para a “missão oficial de segurança do Presidente do Senado Federal na cidade de Paris”. Seria uma “viagem privada”, mas mesmo nestes casos o Presidente tem direito a escolta policial. Mas a viagem foi adiada devido a votações ocorridas no Congresso no ultimate do ano. Caso a viagem não ocorra, os recursos são devolvidos. Neste momento, o presidente já está em mais uma viagem de férias ao exterior.

Pacheco já havia feito uma viagem specific a Orlando durante as férias de julho. Por questões de segurança, ele estava acompanhado de dois Policiais Legislativos do Senado. Cada um recebeu 13 dias no valor de R$ 29,4 mil. Os ingressos custam mais de R$ 36 mil. A saída do presidente custou aos contribuintes R$ 93 mil – o equivalente a 150 serviços prestados pelo Bolsa Família.

O valor das passagens, itinerário e nomes dos seguranças são sigilosos na página da Transparência do Senado. Mas as datas de saída e chegada permitem o cruzamento com a tabela de diárias, levando à identificação do valor de cada passagem e dos policiais que estavam em “missão oficial de segurança do presidente do Senado” em Orlando.

O “Serviço de Protecção Presidencial” dispõe de um orçamento para despesas de emergência dos agentes da lei, nomeadamente em deslocações. São as chamadas “reservas de fundos” que são pagas com cartões de empresa. Em 2022, foram gastos R$ 265 mil, sendo R$ 237 mil com passagens e despesas de viagem. O restante foi gasto com insumos e serviços terceirizados. O maior gasto de um policial em um mês – abril – foi de R$ 13,7 mil. Os detalhes dessas despesas também são confidenciais. O weblog apurou que parte é investida no aluguel de veículos.

Sem carona

As viagens mais caras foram para Orlando (EUA) e Sharm El-Sheikh (Egito). Mais curiosa ainda foi a ida à conferência do clima (COP27). Pacheco e o líder do governo Lula no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), tiveram despesas com passagens e hospedagem em Sharm El-Sheik custeadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), eventos promovidos na conferência. As diárias pagas pelo Senado a Pacheco, seguranças e consultores totalizaram R$ 59 mil.

O Presidente do Senado esteve presente no Fórum Jurídico de Lisboa em junho. Ele relatou o feito em suas redes sociais. “Na conferência ‘Brasil-Portugal: Perspectivas para o Futuro’ em Lisboa, juntamente com o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, destaquei a importância do relacionamento entre nossos dois países”, disse Pacheco em 25 de junho. Ele estava acompanhado de dois seguranças que recebiam R$ 15 mil em diárias. A aprovação de uma delas está documentada no web site do Senado: R$ 27 mil. O presidente recebeu R$ 6.600 em diárias.

O presidente do Senado já tinha feito uma deslocação a Portugal em abril, altura em que visitou a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra. De lá foi para o World Firm Awards em Monte Carlo, Principado de Mônaco.

No Brasil, os 97 voos de ou para Belo Horizonte custam R$ 625 mil. Além da capital mineira, o presidente do Senado visitou outras nove cidades no ano passado por R$ 602 mil. Os 460 dias pagos a consultores e seguranças custam R$ 407 mil. As diárias no exterior totalizaram R$ 175 mil, incluindo as diárias do Presidente.

Senadores seguem

Os outros senadores também viajam pelo mundo às custas dos contribuintes. O senador Irajá (PSD-TO) viajou para o Catar em classe executiva em outubro com uma passagem de R$ 55 mil. Fabiano Contarato (PT-ES) pagou R$ 36 mil pela passagem em classe executiva para a COP27. A viagem da diretora do Senado, Ilana Trombka, a Israel, em setembro, custou R$ 33 milhões. Ela viajou “em missão oficial ao Knesset e instituições nas cidades de Jerusalém, Beer Sheva e Tel Aviv.

A fartura de diárias chegava também aos servidores menos idosos. Neste ano, o Senado pagou 375 diárias, totalizando R$ 184 mil, para viagens de servidores públicos a feiras de livros. A caravana para a feira de Porto Alegre recebeu um whole de 126 dias no valor de R$ 61 mil. Cinco deles receberam 20 dias cada. O mais velho levou R$ 12,6 mil. Também houve feiras em Belo Horizonte, Salvador, Belém e Joinville.

“Sigilo indispensável para a segurança do Estado”

O weblog perguntou ao Presidium do Senado desde quando e por ordem de quem os nomes das forças de segurança na tabela de preços de ingressos são mantidos em sigilo. A assessoria de imprensa do presidente respondeu: “A decisão leva em consideração casos cujo sigilo é essencial para a segurança da sociedade e do Estado. A logística de proteção está vinculada à pessoa do MP e tem como base a Lei do Conselho Gestor nº 14 de 2022”.

“Embora os dados sejam públicos, a Polícia Legislativa considera essencial a necessidade de manter em sigilo os detalhes das informações que, direta ou indiretamente, revelem a composição da equipe do Serviço de Proteção ao Dignitário. Tais informações são sigilosas e, portanto, devem ser tratadas com cautela para garantir a efetividade do serviço, justamente por representar o desenvolvimento da proteção de interesses sociais e constituir uma das exceções constitucionais.

Leave a Comment