Queijo: o novo ouro de Minas – Isabella Ricci

(foto: Acervo pessoal/Isabella Ricci)

No remaining de 2022, fui convidado para uma “difícil” missão como jurado do 1º Concurso de Queijos Artesanais de Alagoa e Mantiqueira de Minas organizado pela Emater – MG. No mesmo dia, aconteceu o 15º Concurso do Queijo Artesanal de Minas. Mas calma! Ainda neste texto, vamos entender a diferença entre eles e porque a concorrência os separa. Em um dia de deliciosas degustações, cheguei à conclusão de que o queijo é o novo ouro de Minas. Mas o melhor é que nossa mina não vai se esgotar, muito pelo contrário. A cada ano vemos e provamos que a qualidade do queijo mineiro cresce, assim como sua produção, o que faz com que o sabor mineiro ultrapasse fronteiras.

A gastronomia mineira já é reconhecida como uma das melhores do mundo. E grande parte deste título é dado, penso eu, não só pelo sabor delicioso dos pratos e especiarias, mas também pela cultura e história que cada um deles carrega. Por isso o arroz com feijão é diferente, a couve é mais rala, o café tem mais aroma e sabor, a cachaça é mais suave… E o queijo? Ó queijo! Me lembra a casa da minha avó, mesmo para quem não teve avó. Porque a casa V está no imaginário de todos, e o queijo Minas Gerais consegue tornar realidade o que sentimos, lembramos ou imaginamos.

E com essa pegada emocional, mas altamente técnica, a Emater-MG tem conseguido apoiar pequenos e médios queijeiros artesanais a colocarem sua produção no mapa da gastronomia mundial. Junto com a produção de queijo, os municípios estão se tornando destinos turísticos. Afinal, queremos saber de onde vem o novo ouro de Minas, certo?

O concurso do queijo mineiro artesanal foi encerrado pela 15ª vez. Mas a grande novidade do Concurso Estadual de Queijos foi a realização da primeira edição do Concurso Estadual de Queijos Artesanais Alagoa e Mantiqueira de Minas. “O que nos permitiu fazer uma linha especial de queijos Alagoa e Mantiqueira de Minas, porque agora eles têm regras. E os Queijos Minas Artesanal (QMA) e Alagoa têm perfis diferentes. O QMA é um queijo de leite cru que não sofre nenhum processo de aquecimento. A Alagoa também é feita com leite cru, mas a massa passa por um processo de aquecimento. Então a forma de preparo, a textura e a consistência são diferentes, então não podemos julgá-los nas mesmas categorias”, explica Maria Edinis Rodriguez, Coordenadora Estadual do Queijo Minas Artesanal da Emater-MG.

Então, vamos conhecer os ganhadores e destinatários dessas iguarias mineiras? No 15º Concurso Nacional do Queijo Artesanal de Minas, o grande vencedor foi o Queijo Cristina produzido por Maria Cristina Costa Faria. O queijo é produzido no município de Vargem Bonita, localizado na região da Canastra. A região, que leva o nome de um dos queijos mais famosos do estado, também oferece muitos atrativos turísticos. Vargem Bonita é uma cidade pequena, simples e hospitaleira. Por estar localizado próximo ao Parque Nacional da Serra da Canastra, é um destino para quem busca paz e sossego, harmonia com a natureza, bem como para quem quer conhecer a nascente do Rio São Francisco, que de lá desemboca sua foz, até o estado de Alagoas, onde se encontra com o Oceano Atlântico. A cidade está localizada entre os dois portões do parque. A entrada na Casca d’Anta é o acesso mais fácil à cascata do mesmo nome com miradouros e piscinas naturais. Com 186 metros de altura, é considerada a marca registrada da região. Pela porta de São Roque de Minas, o turista tem acesso a outras partes do parque, como Chapado da Babilônia, Paredo da Canastra, nascente do Rio São Francisco, Curral de Pedras, Fazenda dos Cnidos, Garagem de Pedras e Serra . A torre Brava tem 1496 metros de altura. Além das cachoeiras Chinela, Lavra, Lavrigna e Sebastio, as duas últimas opções de trilhas são de aventura.
O segundo lugar foi para “Queijo Bicas da Serra” do produtor José Orlando Ferreira o Moço. O queijo é produzido no município de Carrancas, na região sul de Minas Gerais. A cidade é um dos destinos de ecoturismo mais procurados do estado devido às inúmeras cachoeiras, montanhas verdes, poços e cavernas. Em terceiro lugar ficou o “Queijo Tropeiro”, produzido por João José de Melo na Fazenda Pavo, município de Serra do Salitre. O município está localizado na mesorregião Tringo Mineiro e Alto Paranaba. Além de queijos premiados, o município também possui uma grande produção de café, a combinação perfeita para o nosso café da tarde. As trilhas e a cachoeira do Peta completam o passeio.
Agora vamos conhecer mais de perto os queijos artesanais Alagoa e Mantiqueira de Minas, cujas amostras tive o prazer de provar de 18 produtores. Também em altíssimo nível, apesar de a competição ser disputada pela primeira vez. Espera-se que esse queijo seja semelhante ao queijo parmesão, de cor uniforme do branco ao amarelado, formato cilíndrico, casca fina e sem rachaduras. A consistência deve ser semi-sólida, quase firme, o que obviamente varia com o tempo de maturação. Esta estrutura irá agradá-lo com um sabor azedo-láctico, ligeiramente azedo, moderadamente salgado, talvez um pouco picante. E o grande vencedor dessa categoria é o Queijo Fazenda Entre Morros, do produtor Marcelo Fonseca de Andrade. O segundo lugar ficou com Queijo Sabor de Alagoa do produtor Antnio de Barros Jr. Ambos são do município de Alagoa, que fica entre a Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, entre os municípios de Airuoca e Itamonte. Uma pequena e pacata cidade preserva em seus costumes, gastronomia, tradições, festividades, arquitetura colonial e cultura do aldeão do sul de Minas Gerais.
O terceiro lugar ficou com o Queijo Almeida Guimares, que fica no município de Itanhando, região da Mantiqueira de Minas. São vários os charmosos municípios da região que produzem o típico queijo: Airuoca, Baependi, Bocaina de Minas, Carvalhos, Itamonte, Liberdade, Passa Quattro e Pouso Alto. A região de inverno rigoroso atrai casais e viajantes aventureiros. Afinal, são várias cachoeiras, picos e tipos de vegetação. Não existe combinação melhor que natureza, frio e queijo!

A riqueza de Minas Gerais fica evidente no dia a dia. No que você come, bebe e nas pessoas à mesa. Em caminhadas pelos diversos tipos de vegetação que o estado possui. Para que nosso novo ouro prospere, ele deve ser reconhecido não apenas como alimento, mas como reflexo de nossos costumes. Os queijeiros avançavam a cada produção. E depende do destino se os queijos mineiros farão parte da cultura native. Afinal, é isso que os turistas buscam, muito mais do que cidades e gastronomia, buscam experiências!

Quer saber tudo sobre turismo e setores relacionados, além de apenas dicas de viagem? Siga-me no Instagram @isabellaricci.tur

Leave a Comment