Ricardo e Mafalda deixaram a cidade rumo aos Açores. Agora eles vivem em uma “Little Large Home” – NiT

Há quatro anos que vivem na casa que eles próprios construíram no meio da paisagem açoriana. Uma casa quase totalmente sustentável que tem mais do que um telhado e quatro paredes – tornou-se um modo de vida. Mas este não é outro capítulo de amor e uma cabana. “As pessoas tendem a romantizar isso”, alerta Ricardo Pereira, uma das metades do casal.

“Claro que temos essa preocupação com a sustentabilidade, mas em grande parte fomos forçados a viver de forma sustentável. Não conseguíamos eletricidade, não podíamos ter fossa séptica. Foram muitos os obstáculos que nos obrigaram a seguir um caminho ecológico”, refere sobre a construção da casa, que durou mais de um ano juntamente com a mulher Mafalda Fernandes.

Juntos criaram “A Pequena Grande Casa”, uma casa construída ao longo de um ano e meio num armazém em São Miguel. É uma casa mais ou menos auto-sustentável. Em outras palavras, os painéis solares produzem toda a energia de que precisam – e mais para alimentar o carro elétrico; A água da chuva é captada e filtrada para uso doméstico; e os resíduos vão para um sistema de compostagem que os transforma em nutrientes que alimentam a fértil horta orgânica.

“Meu filho diz que é banana no banquinho”, brinca Ricardo. Hoje são quatro, junto com os filhos Joaquim, de sete anos, e Jeremias, de dois.

Eles rejeitam a noção romântica de vida fora da grade. “As pessoas pensam que estamos defendendo a pobreza, mas não é bem assim. Vivemos confortavelmente com imensas regalias que nossa sociedade nos dá. Temos uma secadora e uma máquina de lavar. Não é exatamente uma vida em que temos nossa própria comida e é só isso que comemos. Não vivemos no frio.”

Ambos com 37 anos, viveram o choque de uma geração que entrou em profunda crise em 2012. No entanto, eles não estavam desempregados. Aliás, não lhes faltaram trabalho e projetos – e também por isso, a ideia de se mudar para os Açores, para um meio rural supostamente mais lento, parecia tentadora.

“Period a época do governo de Passos Coelho, nossa geração period convidada a emigrar. Muitos de nossos amigos deixaram o país. O ambiente period difícil, não havia alternativas. Não period uma situação agradável”, lembra Ricardo.

Descobririam depois que a aposta estava certa, mas que os projetos continuavam a brotar mesmo em meio aos pastos de São Miguel. “Acho que é mesmo uma questão de personalidade”, diz Mafalda. “Estamos sempre em busca de novas atividades.”

O casal trocou Lisboa pelos Açores

Ela estudou design de dispositivos. Trabalhou com pós-processamento de fotos e foi aí que começou a ter as primeiras noções de trabalhos manuais com madeira, fazendo molduras. Apaixonaram-se pela paisagem numa viagem aos Açores e desde então foram convidados a trabalhar numa empresa native de turismo rural.

Agarraram-se à ideia e não se comprometeram. Mais tarde, durante uma viagem a Marrocos, decidiram finalmente equilibrar tudo. Eles queriam “um lugar mais tranquilo” onde pudessem ter “uma vida menos intensa”. “Chegamos à conclusão: ‘vamos ver como isso funciona'”, diz Mafalda.

Foi assim. Mas a calma esperada não veio tão de repente. Eles se mudaram cinco vezes em três anos e nunca se sentiram realmente confortáveis. O clima dos Açores e principalmente a construção não ajudaram.

“A construção não é boa e há muita humidade nos Açores. Você deixa uma gaveta fechada por três ou quatro meses e, quando abre, está cheia de mofo. O cheiro de mofo é comum, há poucas janelas. E sempre pensei que devia haver uma maneira de viver confortavelmente aqui”, explica Ricardo.

Tinham levado uma carrinha, que usavam para viagens longas mas que se tornou redundante nos Açores. Resolveram vendê-lo e usaram o dinheiro para encontrar “um ninho”. Começaram com casas pequeninas, pesquisaram projetos semelhantes no estrangeiro, consultaram amigos e investiram o dinheiro num terreno nos Fenais da Luz, zona rural a poucos minutos de Ponta Delgada.

Pouco ou nada poderia ser feito neste terreno. A única solução period criar uma casa que não violasse as restrições. Então eles imaginaram uma dessas casinhas ecológicas. “Uma casa feita sob medida para nossas propriedades e funcionalmente dimensionada para nossa família.”

Por um ano e meio eles viveram em tempos difíceis. Com um recém-nascido para cuidar e um trabalho no turismo rural para compensar os dias de folga, eles reservam noites e fins de semana para testar suas habilidades artesanais em um armazém alugado. E paciência.

“A gestão do tempo foi a maior dificuldade. O cansaço acumulado dos pais de primeira viagem. A criança não dormiu a noite toda. No closing assumi também mais o papel de mãe e deixei de lado a profissão de designer. Também causou alguns atritos entre o casal”, admite Mafalda.

Para Ricardo existe também uma “ideia romântica” de construir uma casa junto com a esposa ou companheira. “Quando termina, há um vínculo muito forte, uma sensação incrível. Mas muitas vezes é difícil.”

Nunca pensaram em desistir, mas pensaram até em sair de casa pela metade. A casa foi toda montada no galpão e depois desmontada ao meio para ser transportada até o canteiro de obras e aí remontada.

Cada bloco cabe em um trailer e, como não é permitido construir no terreno, a casa é móvel em todos os aspectos, baseada em uma estrutura sobre rodas. É também uma forma de escapar aos caprichos do clima húmido: o vão de ar que separa a casa do solo também ajuda a controlar a humidade.

Eles nunca tiveram medo de encontrar nela as mesmas falhas das cinco casas anteriores. “Construímos a casa com base em outras instaladas em locais com climas muito mais extremos. Se funciona em outros lugares, funcionaria melhor aqui”, diz Ricardo.

Gastaram cerca de 50.000 euros incluindo terreno. Um valor que beneficia do facto de nunca pagarem a mão-de-obra: tudo é feito pelas próprias mãos.

A construção da casa levou um ano e meio.

A propósito, a casa continua “uma obra em andamento”. Mais recentemente converteram o sistema de compostagem para um sistema de minhocagem que aproveita o resíduo que depois é convertido pelas minhocas em materials nutritivo que se distribui pelo jardim e o fertiliza.

“É muito o que fazer. Fazemos os nossos móveis e ainda não fizemos o sofá. Então sempre há algo para melhorar.” explica Mafalda. Mas ainda com esse espírito imparável e insaciável, a dupla já pôs as mãos em mais uma obra que está praticamente finalizada nestes dias.

Na propriedade encontraram uma velha ruína de 25 metros quadrados que escolheram para um novo empreendimento. Tinham dois objetivos: servir de espaço para a Mafalda; como espaço para visitas ocasionais do continente; e como um campo de testes para novos métodos de construção sustentáveis.

“Chamamos-lhe Ruína Menina porque é o quarto da Mafalda”, brinca Ricardo, que tem aperfeiçoado a sua técnica de carpintaria nos últimos anos. Para a nova casinha, eles encontraram um materials, cimento feito de cânhamo, que embora “não seja estrutural” é “um excelente isolante térmico e acústico”.

Para Ricardo, esta possibilidade de construir o seu próprio abrigo é “muito importante”. “Period algo que as gerações anteriores tinham e que se perdeu. Aquela sensação de poder construir um abrigo, estar confortável com sua família no native que você construiu. Nesse sentido, o romance está muito presente.”

Esse modo de vida também serve a outro propósito de “dar às crianças ferramentas” para serem “autônomas, criativas, críticas e conscientes de seu entorno”. “Eu acho que faz sentido. Esse é o nosso objetivo”, conclui Mafalda.

Terminadas as obras, os planos caminham para uma vida tranquila no verde dos Açores, não sem antes cumprir uma promessa feita antes da construção da casa: uma viagem pela América do Sul durante quatro ou quatro meses. “Queremos que nossos filhos experimentem isso também, para descobrir novos lugares e outras pessoas.”

Clique na galeria para ver mais imagens da família Pereira em A Pequena Grande Casa.

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transporte de casa.

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