Trabalho remoto amplia mercado externo para profissionais brasileiros – 23 de janeiro de 2023 – Notícia

Segundo levantamento exclusivo da Husky, plataforma que facilita o recebimento de transferências internacionais de dinheiro, o número de profissionais que moram no Brasil mas trabalham no exterior aumentou 491% entre 2020 e 2022.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo estudo, área de tecnologia da informação é a mais atrativa para empregos no exterior

Os brasileiros da área de tecnologia da informação são mais procurados por empresas estrangeiras, mas profissionais de outras áreas, como designers, influenciadores digitais e streamers, também são procurados nesse modelo.

Segundo um estudo de março de 2020, no início da pandemia, havia 1.251 usuários do Husky. Ao remaining de novembro de 2022, eram 11 284. O whole de especialistas trabalhando no Brasil para empresas no exterior pode ser maior, pois nem todos utilizam a plataforma em que o estudo foi feito.

Segundo especialistas, a medida reflete a consolidação do trabalho remoto e mudanças nas leis trabalhistas, como as que possibilitaram o trabalho híbrido.

Algumas empresas possuem alternativas na hora da adoção, como a startup brasileira Mesa. No contrato da empresa, o profissional pode escolher se prefere o contato remoto, híbrido ou presencial. “Temos funcionários espalhados por todo o Brasil e até em outros países. No nosso caso, a opção remota tem muita importância – diz Larysse Gurgel, responsável pela gestão de pessoas na empresa.

Segundo Maurício Carvalho, CTO da Husky, a sustentabilidade do trabalho remoto após a pandemia também se deve à flexibilidade desse modelo. “Tem a ver com estilo de vida e tornou-se um fator decisivo na retenção de funcionários”, diz ele.

De acordo com o estudo, a área de tecnologia da informação é a mais atrativa para empregos no exterior. Os programadores são os mais procurados neste segmento. Eles respondem por 84% das buscas.

Johnathan Alves, 28, é engenheiro de software program sênior em uma remota empresa americana que não tem espaço físico desde o início. Antes de assumir o cargo atual, trabalhou remotamente para outras duas empresas estrangeiras.

A primeira experiência aconteceu em 2020 em uma empresa de consultoria nos Estados Unidos. Após dois meses, decidiu pedir demissão por falta de adaptação. Em menos de um ano, conseguiu ser selecionado em uma startup em Malta. No momento da contratação, o empregador sinalizou que, após o abrandamento da pandemia, seria necessário migrar para o modelo presencial. “Mas depois de dez meses na empresa, decidi que não adiantava ir para a Europa”, lembra. O patrão aceitou o pedido.

Por exemplo, a advogada Caroline Florian trabalha há cinco anos no departamento de atendimento ao cliente de uma empresa americana responsável por um aplicativo de gerenciamento de tarefas. Ela decidiu trabalhar remotamente no exterior devido à sobrecarga de seu antigo emprego. “Estava pensando no meu futuro. Claro que foi um ajuste na minha rotina, mas não pretendo voltar. Ganhei tempo para mim – comenta.

Sem suporte CLT

Juntos, além de adotarem o conceito de dwelling workplace, Johnathan e Caroline fazem o mesmo tipo de trabalho: uma pessoa jurídica (PJ). Nesse caso, não possuem os direitos previstos pela Unificação das Leis do Trabalho (CLT), como o 13º, rescisão e demais regras da Norma Brasileira. Na prática, cada empresa estrangeira pode ter uma política específica. Isso significa que a legislação pode variar dependendo do país de interesse e da cultura da empresa.

Segundo a advogada trabalhista Maria Laura Alves, pela legislação do país, uma empresa estrangeira deve ter algum capital brasileiro para contratar um profissional por meio da CLT. Quando isso não for possível, o splendid é “escolher a lei mais favorável ao empregado”. No entanto, não há leis que caracterizem a modalidade. Como os PCs que trabalham no Brasil, Caroline e Johnathan emitem faturas mensais para serem pagos. Ambos pagam impostos e cuidam da contabilidade.

Porém, antes de assinar o contrato, o advogado sugere que o profissional leia o documento com atenção para evitar irregularidades. Ainda assim, existem lacunas que podem gerar conflitos entre as funções da modalidade PJ e CLT.

“Essa é uma grande discussão na Justiça do Trabalho”, diz Alves. Questões de Transparência na Contratação de Armas Nina da Hora, cientista de comunicação e diretora do Instituto Da Hora. Salienta a necessidade de “discutir a importância da regulação nesta área”.

Nos bastidores do increase de recrutamento

Especialistas analisaram essa tendência de trabalho remoto do Brasil para o exterior, que não é inédita, mas foi acelerada, entre outras coisas, pela pandemia. Para Nina da Hora, a desvalorização do actual nos últimos anos baixou o custo da mão de obra. “Foi barato para as empresas estrangeiras, mas esse emprego não garante direitos” – critica o cientista.

Guilherme Massa, cofundador da Liga Ventures, diz que o “apagão” da força de trabalho levou a uma reorganização do mercado de especialistas em tecnologia. Com isso, os funcionários passaram a observar outros setores além da área de TI, como saúde, agronegócio ou bancos, em cujos espaços são implantados produtos nativos digitais. “Faz parte do início de um avanço tecnológico que viu a demanda por talentos disparar”, acrescenta.

Referindo-se às recentes ondas de demissões anunciadas por gigantes da tecnologia como a Microsoft, alguns especialistas explicam que isso não significa um aumento no número de empregos remotos na região. Isso porque a medida faz parte de um cenário de recessão international.

Segundo Leo Rapini, CTO da B.NOUS, embora haja uma “redução de investimentos em todo o setor”, os profissionais qualificados são mais flexíveis ao novo modelo de mercado.

Encerrando o ano em uma startup americana, o engenheiro de software program Johnathan Alves descarta um emprego native porque não pretende sair de São Paulo. “Só me vejo no trabalho híbrido”, diz.

Ele apostou em estratégias recomendadas por especialistas e táticas que aprendeu com a experiência pessoal para criar um currículo que soma três trechos de empresas estrangeiras durante a pandemia. A principal delas, segundo o desenvolvedor, é a linguagem. Ele frequentou um curso de inglês por quatro anos e praticou a fala antes da entrevista. Atualmente, ele está tentando melhorar sua comunicação escrita, formato em que mais interage com a equipe.

Outro recurso utilizado pelo profissional foi o serviço de assinatura LinkedIn Premium, rede onde ele buscava vagas, trocava ideias com desenvolvedores e enviava currículos.

“Eu costumava enviar uma mensagem e meu currículo diretamente para a pessoa que postava a oferta de emprego”, explica. Esse método aumentou an opportunity de ser notado pelo recrutador. Além dessas sugestões, os especialistas orientam quem busca seguir a carreira de dwelling workplace sem as tradicionais atividades presenciais, como networking, reuniões e espaço físico. Confira algumas delas:

Impulsione o seu perfil nas plataformas de emprego

Ter um perfil atualizado é basic para atrair recrutadores. Um bom começo é fornecer uma foto de boa qualidade. Karuna Lopes, Diretora de Comunicação do LinkedIn para América Latina e Península Ibérica, lista três dicas básicas para te ajudar a se destacar nas empresas estrangeiras: perfil completo na plataforma, destacando seu conhecimento do idioma do país de destino, filtragem procura trabalhos remotos interessantes e também atualiza a lista de habilidades.

Especialmente a última sugestão é importante para o desenvolvimento de uma carreira internacional. Karuna aponta que tender expertise como inteligência emocional, comunicação e resiliência devem ser praticadas.

“Essas habilidades podem ser agregadas ao perfil do usuário, mas também podem ser enfatizadas por meio da criação de conteúdo. Isso ajuda as empresas a irem além das habilidades técnicas que podem ser críticas na hora de procurar emprego em outro país”, enfatiza.

invista no idioma

O trabalho remoto para empresas estrangeiras requer conhecimento prévio do idioma nativo de um determinado país. Para enfrentar reuniões, ser compreendido, demonstrar conhecimentos gramaticais e produzir relatórios satisfatórios, praticar a redação é o caminho, sugere Juliana Rosa, diretora de vendas e consultora de intercâmbio da Ebony English.

Entre as ferramentas disponíveis para facilitar a comunicação estão “ouvir e assistir telejornais legendados no mesmo idioma falado, ouvir e transcrever podcasts e acompanhar as rádios locais [buscar sites das emissoras na internet]”, recomenda.

Juliana também destaca que, para ganhar autoconfiança, é preciso abrir mão da vergonha de falar em público. “É importante para quem está aprendendo um segundo idioma entender que a comunicação vai oscilar até ser praticada”, enfatiza.

Pesquise as informações da empresa

Para atrair a atenção dos recrutadores é preciso se adequar à cultura da empresa, diz Daniela Tessler, sócia da Odgers Berndtson. Ele diz que você deve ter cuidado com o que publica on-line. Na etapa de pesquisa, Daniel aconselha a pesquisar no web site do governo do país selecionado e se inspirar em histórias reais. Um entendimento mais próximo da política da empresa também pode ser uma ferramenta útil para o conteúdo da carta de apresentação.

Você tem uma posição no exterior? Agora é hora de trabalhar para ser produtivo

Apesar de praticar o modelo remoto, o engenheiro de software program Johnathan Alves alerta que o dwelling workplace pode reduzir a produtividade em alguns casos.

“Tem que praticar a concentração, porque é difícil separar quando tem trabalho e quando não tem”, enfatiza.

Ele aponta três fatores que o ajudam a manter o foco durante o dia: bons equipamentos, um escritório confortável e um ambiente tranquilo e sem distrações. “À distância, seu trabalho falará por você”, conclui.

Conteúdo Estadão

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