uma das últimas bordadeiras faz isso em Castelbuono

A Sicília é cheia de segredos que se perdem nas brumas do tempo, magia que nada tem a ver com feitiços e poções, mas com o que vem das mãos

Você gostaria de aprender uma arte milenar que tem séculos de história por trás e tornar-se guardião de um patrimônio a ser transmitido, além de guarnecer sua casa ou sua roupa com preciosos enfeites? Se sim, então esta é uma oportunidade que requer tempo mas também paixão, como todas as coisas que têm um valor profundamente humano.

E entre estes, um dos exemplos mais complexos e extraordinários de habilidade e precisão, assim como de beleza, é certamente a arte do “desfile siciliano”. Em Castelbuono há Mary Service provideruma das últimas bordadeiras capazes de perceber a beleza deste que é mais do que um trabalho “feminino” mas uma verdadeira habilidade, e a partir da qual também se pode aprender e tornar-se guardiã deste património.

Uma arte que tem diferenças substanciais com bordado actual – que consiste em inserir os fios na tela com pontos diversificados que criam o desenho no tecido – que o separam em certo sentido pela duplicidade do processamento: a criação da rede e o bordado da mesma.

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Dentro das diferenças substanciais que só um verdadeiro especialista pode reconhecer, uma especialista como Maria Mercante que hoje – além de ser uma das últimas bordadeiras do desfile siciliano cresceu na escola Rosana Garofalo reconhecido como professor e autoridade a ponto de ter entrado no REIS, o registro do patrimônio imaterial da Sicília – leva um curso de bordado para crianças que a acompanham com paixão recuperando a tradição de transmitir saberes às novas gerações, aliando um trabalho de recuperação que se acrescenta ao seu quotidiano e que a vê empenhada na guarda desta arte na Madonie.

A Sicília é uma região repleta de segredos que se perdem nas brumas do tempo, magias que nada têm a ver com feitiços e poções, mas sim com a magia que vem das mãos, do gênio criativo que se manifestou ao longo dos séculos na mistura de povos que se conheceram e deixaram um legado de arte e artesanato hoje reconhecido como patrimônio inestimável, o chamado legado imaterial.

Uma história paralela à das grandes artes que desenha a grande vocação do artesão é contada através de preciosos artefatos que sempre representaram o carro-chefe de nossa cultura, atraindo também a curiosidade e admiração de turistas estrangeiros.

Maria nos explica: “o verdadeiro cortejo siciliano faz parte da arte do bordado realizado em tecido de linho e com fios finos cuja beleza reflete aquela qualidade essencial que é a paciência necessária para criar um bom artesanato.

Tecnicamente consiste em puxar a trama do tecido para obter uma “rede” que, uma vez entrelaçada, cria uma grade da qual emerge posteriormente um motivo decorativo escolhido pela bordadeira variando de rosetas geométricas a interpretações florais da natureza, a estatuetas antropomórficas.

Cada trabalho pode diferir no estilo e na escolha da tipologia escolhendo os três métodos: o 400 é o mais precioso com o bordado feito em ponto pano, o 700 com o ponto cerzido e o 500 com a decoração a bordar deixada no pano e ambiente removido”.

No seu laboratório é possível admirar peças únicas e raras pela beleza e rigor do trabalho, ouvir a história de quem, em vez de partir, preferiu ficar e investir na herança antigapara criar seu próprio futuro sobre os traços do passado.

Um verdadeiro entrelaçamento entre a matemática e a criatividade que vê na “contagem dos fios” a transposição de desenhos que entre estes aparecem no fundo de uma rede habilmente governada.

Uma rede de fios contados, uma malha finíssima que posteriormente é trabalhada obtendo das partes dos vazios uma leveza que em seu uso deu efeito a kits, encaixes de roupas nobres, vestes sagradas de valor inestimável tanto pela preciosidade quanto pela complexidade e duração do tempo necessário para definir o que será então objeto de culto.

“Historicamente chega na Idade Média no leste da Sicília na antiga Ragusa que parece ter sido o primeiro native onde se enraizou, importada pelos árabes e trabalhada por mulheres com as quais se confecionavam, em primeiro lugar, as roupas de casa e os encaixes para roupas preciosas, atingindo o seu apogeu no Renascimento, graças à sua difusão nos conventos onde enxovais foram feitos ao clero.

“Um passado em que period regular transmitir conhecimentos artesanais e em specific bordados e uma atividade que passou de um passatempo a uma verdadeira profissão. Mas também um exemplo de coesão e entreajuda desencadeada pela partilha dos horários de trabalho, pela troca de práticas que gerou uma cola importante para as comunidades.

E é neste sentido que Maria nos envia um depoimento por Rosana Garofalo: O futuro do Sfilato é a família. O que quer que seja. Mesmo a de um grupo perene onde entre os teares se pergunta: “Como vai você?”. Period uma vez bordado para a família, a pensar no futuro lar ou no espanto que desse bordado sairia a futura noiva, a futura mãe.

Hoje a família é também aquela que se une pela mesma paixão e em que o bordado de cada um desperta o interesse de todos: todos o veem nascer e dele participam oferecendo ajuda e conselhos.

Na Sicília um Chiaramonte Gulfi na província de Ragusa, nos espaços do Museu do Bordado e do Sfilato siciliano, você pode admirar pequenas e grandes obras-primas junto com as ferramentas para trabalhar.

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